— Vamos ser expulsos novamente do paraíso. Mas só saberemos disso quando já for tarde demais para fugir do inferno.

    A guerra entre Israel e Irã é apenas mais uma flor que desabrocha no jardim do inferno. Outras já brotaram: Rússia e Ucrânia; Israel e Palestina na Faixa de Gaza; Índia e Paquistão; Houthis e o governo do Iêmen. Agora, a tensão se espalha. A Europa ressurge em sua corrida armamentista. A França repele Moscou com palavras duras. Putin responde com ameaças cada vez mais belicosas. EUA e China já travam uma guerra fria silenciosa — tecnológica, ideológica, estratégica.

    Como no Éden, a serpente colheu o novo fruto proibido: dopamina colhida nas árvores da Inteligência Artificial e dos algoritmos. E o oferece não em troca de sabedoria — mas de engajamento, indignação e ressentimento.

    A intolerância é o ovo da serpente. E dele nascem os monstros. Ódios antigos que rompem a casca frágil da civilização. Ressentimentos históricos, agora alimentados por mutações digitais que aprendem, adaptam e incitam.

    Essa mesma intolerância serpenteia nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, nas esquinas, nos parlamentos, nas fronteiras. Rompe amizades, divide famílias, derruba tratados, destrói alianças. — É a praga da nossa geração.

    Os drones militares são as abelhas assassinas deste novo jardim. Polinizam o terror com precisão cirúrgica. Enquanto isso, a erva daninha dos memes depreciativos, das fake news embaladas em ironia, dos comentários ácidos, das comparações desumanas, das piadas cruéis e dos vídeos editados para florescer a animosidade, se espalha por toda a terra.

    Estamos, mais uma vez, sendo expulsos do paraíso. Mas não por Deus — por nós mesmos. Porque não resistimos à tentação. E, de novo, comemos do fruto.

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