O grande problema da maioria das cinebiografias, principalmente as nacionais, é retratar o biografado como um ser genial, amenizando defeitos e entregando mais uma propaganda comercial do que um retrato fidedigno. Felizmente “Homem com H” apresenta muito mais do que um check list de momentos marcantes do artista Ney Matogrosso.
O ponto mais interessante de acompanhar uma biografia é entender as nuances da persona. Compreender um pouco de tudo aquilo que a fez ser quem é, agir como agiu durante a vida, e o que serviu de base para a construção pessoal e artística. A partir do talento de Jesuíta Barbosa tudo isso é possível. O ator empresta trejeitos, olhares e silêncio para viver Ney Matogrosso, um artista expansivo, provocador e livre. Sua interpretação nunca ultrapassa o limite do exagero ou da caricatura. Uma atuação irrepreensível.
A direção de Esmir Filho pode ser não ser a mais criativa, como vimos em “Better Man”, cinebiografia recente sobre o cantor Robbie Williams, porém é correta, não perde o protagonista do foco e segue o padrão formal daquilo que se costuma fazer no gênero.
8.0
*Disponível na Netflix
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