A nova aventura do super herói mais poderoso do planeta chegou aos cinemas cercada de boas expectativas. Quando o diretor James Gunn foi contratado para assumir a chefia do projeto a confiança perdida com os últimos filmes de Zack Snyder voltou. Adeus Superman sisudo, intocável e quase indiferente aos homens comuns. Seja bem-vindo Kal-El iluminado, colorido, otimista e empático!
Porém, o “pacote James Gunn” não trouxe apenas luz para o novo universo da DC nos cinemas. O cineasta traz consigo o exagero peculiar de sua filmografia e isso nem sempre é bom.
Em “Superman” acompanhamos o herói lidando com as consequências de suas ingerências em conflitos de outras nações e temos o vilão Lex Luthor se aproveitando para alavancar uma campanha difamatória contra o último filho de Krypton.
A primeira metade do longa propõe esse debate interessante sobre consequências e sobre até que ponto podemos nos meter em questões que estão fora dos nossos limites, mesmo que a causa seja justa. O momento em que Lois interpela o Superman sobre suas ações deixando-o acuado é o grande momento de um roteiro que levanta uma boa discussão, mas que infelizmente não volta a pauta ao final para resolvê-la. Gunn quer fazer de seu entretenimento uma metáfora política sobre imigrantes, tolerância, guerras e soberania de nações. Sua intenção é válida, mas tem tanta coisa acontecendo em tela a todo instante, são tantos personagens secundários tomando tempo de projeção e uma trilha sonora incessante, que o espectador não tem respiro para sentir a mensagem, refletir, absorver e ponderar. A falta de sutileza do diretor denota a intenção de conduzir e não de instigar.
Gunn também subverte a ideia do protagonista invencível e imbatível. Não só apanha em boa parte do filme, como precisa da ajuda de colegas, amigos e do seu cachorro para sobreviver e superar os adversários.
Apesar das críticas “Superman” também tem seus êxitos. A escolha do elenco foi um gol de placa. O trio principal está excelente. David Corenswet entrega um herói carismático, corajoso, puro e disposto a salvar até um esquilo. Rachel Brosnahan nos brinda com a Lois Lane intrépida, de personalidade forte e apaixonante. Já o Lex Luthor de Nicholas Hoult tem o vigor e a maldade que adoramos em um vilão.
Assim, mesmo em meio ao caos organizado por James Gunn, “Superman” tem tudo para funcionar muito bem como o primeiro passo de um novo universo de seres super poderosos, focando em aventuras mais otimistas e divertidas, e rompendo totalmente com a atmosfera dark e sombria que deu errado até então.
7.0
*Em cartaz nos cinemas
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