Um erro de cálculo. Uma medida que mais agride a lógica jurídica do que protege o devido processo legal.

    Sem risco concreto, sem condenação, sem coerência com a prática judicial comum — a decisão escorregou da Justiça para o campo da retaliação simbólica.

    — A tornozeleira de Bolsonaro me pareceu uma canelada.

    Num país que liberta traficantes, que perdoa os ladrões da Lava Jato — aqueles que desviaram bilhões — e que, por meio de audiências de custódia, solta criminosos diariamente, é o ex-presidente quem termina vigiado por satélite?

    Bolsonaro já errou? Sim.

    Mas não se conserta um erro com outro.

    Não é com exageros que se faz justiça.

    É com equilíbrio. Com razão. Com a Constituição na mão — não com o fígado.

    A tornozeleira eletrônica não é apenas um símbolo.

    Ela mostra, com precisão milimétrica, a localização do exagero.

    Aponta o lugar exato onde a retaliação se disfarça de justiça.

    Indica, como um GPS do arbítrio, que estamos retaliando Trump.

    Enquanto corruptos da Lava Jato, traficantes e homicidas respondem soltos e sem monitoramento eletrônico, um ex-presidente, sem condenação definitiva, recebe tratamento mais severo.

    Isso fere o princípio da isonomia.

    Fere a presunção de inocência.

    E, sobretudo, fere a confiança pública na Justiça como guardiã da imparcialidade.

    A democracia continua de pé. Mas manca.

    Porque a tornozeleira foi colocada, não no tornozelo de um homem —

    mas no tendão de Aquiles da democracia.

    A nação prende a respiração.

    O que virá pela frente?

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