Sou a favor da liberdade de expressão — mas não da liberdade de agressão. É claro que o país precisa discutir limites, com todo o cuidado para não instituir a censura. O que não se pode é usar o pretexto da proteção institucional para censurar até o silêncio.

    Foi isso que vimos com o deputado Hélio Lopes. Não havia microfone. Não havia gritos. Era um protesto mudo. Havia apenas um esparadrapo na boca.

    Era uma manifestação silenciosa — e simbólica. E foi proibida.

    Tem gente dizendo que calar o deputado foi necessário pra proteger a democracia. Mas a democracia que precisa calar o silêncio dos outros… ainda é democracia?

    Karl Popper, filósofo austríaco, dizia que não se pode tolerar os intolerantes. Pesquisem depois sobre o paradoxo da tolerância. Mas Hélio não gritou, não pregou golpe, não xingou ninguém. Ele se calou — e mesmo assim foi censurado.

    É preciso defender a democracia. Mas que, para isso, não precisemos destruí-la. Não adianta salvá-la e transformá-la em refém.

    — Proibir a fala é autoritarismo.

    — Proibir o silêncio é desespero.

    Sim, é preciso proteger a democracia. Mas analisando cada passo, cada movimento, para que — no fim — esse caminho sem volta para o autoritarismo não tenha ido longe demais.

    Foto: Luís Nova /Metropoles.

    Share.