O mexicano Roberto Gómez Bolaños foi o criador de dois grandes programas de sucesso na América Latina. Me refiro à “Chaves” e “Chapolin”. Bolaños também foi autor de uma série de outros programas, mas foi o menino da vila e o herói atrapalhado que brilharam mais na sua galeria.

    Distribuída pela HBO MAX, “Chespirito: Sem Querer Querendo” é uma minissérie de oito episódios, lançada semanalmente e que agora já se encontra completa para o público acompanhar.

    O grande destaque da série sem dúvida alguma foi o elenco escalado para viver os atores que interpretaram os personagens icônicos da TV, Kiko, Seu Madruga, Professor Girafales, Chiquinha e o próprio Chaves. Além de parecem fisicamente com as personas reais, a turma mandou muito bem carregando emoções genuínas de acordo com seus papéis.

    Até a primeira metade a “Chespirito” adotava um tom de conto de fadas, em que o protagonista, lutando pelo êxito profissional tinha ares de “Cinderela”. Acompanhamos sua juventude, os primeiros passos no trabalho, a busca por espaço e o apoio fundamental que sua primeira esposa Graciela lhe deu quando o reconhecimento ainda não havia chegado. Foi bacana ver como surgiram as inspirações para suas criações mais famosas. O poder de observar tudo a sua volta fez com que Bolaños trouxesse para a TV elementos que facilitaram a identificação do espectador com os personagens que ele criava. Assim, o “pequeno Shakespeare” foi alçado ao status de gênio. Porém, tudo tem um preço.

    O controle criativo de “Chesperito: Sem Querer Querendo” ficou nas mãos do filho de Roberto Bolaños, Roberto Gómez Fernandéz, e isso foi determinante para o rumo que a produção iria tomar. Com idas e vindas no tempo, já havia sinais que a vida pessoal de Bolaños ganharia um papel importante no roteiro, que a partir da segunda metade dos episódios se debruçou sobre o triângulo amoroso que o protagonista formou com sua esposa Graciela e com a atriz que viveu a Dona Florinda, Florinda Meza.

    Meza, tratada como vilã de novela das 8, teria sido a responsável pelo fim da longa união de Bolaños com Graciela, com quem teve seis filhos. Carlos Villagran, o Kiko, também não foi retratado da forma mais simpática, se revelando no programa como uma figura invejosa e por vezes desagradável.

    Dessa forma, o desfecho da produção me pareceu um drama familiar arrastado em que o protagonista parecia anestesiado e refém das decisões de outras pessoas sobre sua vida.

    O mais irônico é que talvez Roberto Fernández tenha feito exatamente isso. Usado a figura do pai para falar de seus próprios sentimentos e ao seu modo fazer sua justiça.

    7.0

    *Disponível na HBO MAX

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