Baseada em um caso real, “Em Nome do Céu” é uma minissérie em sete episódios que mostra um detetive reavaliando sua fé ao investigar o assassinato de uma mulher e seu bebê, cometido por integrantes de uma igreja ligada à religião mórmon.

    A história é contada a partir de depoimentos de suspeitos e testemunhas, e assim como o detetive interpretado por Andrew Garfield, vamos conhecendo os detalhes do crime pouco a pouco.

    A religiosidade é a pauta de destaque da série. Aponta como os líderes religiosos trabalham o passado, ignorando, escondendo ou reescrevendo-o com letras heróicas para contar histórias de luta, superação e fé, limpando o sangue que banhou sua trajetória e seus posicionamentos hediondos.

    Essa incapacidade de lidar com os erros que permeiam a origem condena o conhecimento que não venha através dos gritos dos novos profetas, que direcionam a interpretação do rebanho.

    Ainda seguindo as provocações da série, nos deparamos com os fundamentalistas. Aqueles que encontram a sujeira embaixo do tapete e acreditam que a glória está em reviver os velhos tempos pois tudo foi feito sob os desígnios de Deus. Eles não acreditam na evolução dos fundamentos religiosos.

    E seja no passado ou no presente, a figura feminina continua representando o dever de obediência ao homem e servidão inquestionável. Logo, independente do tempo ou da religião, a mulher é doutrinada a seguir a cultura do patriarcado, perdoar e aceitar.

    “Em Nome do Céu” alerta sobre a fé cega que coloca os fiéis num patamar de superioridade sobre os homens comuns. A fé que brota a ideia do elo divino que chancela os piores atos em nome de Deus. Por isso não podemos perder o hábito de questionar e o direito de conhecer nossas origens, mesmo que ela não seja bela. Pois o importante é o que aprendemos dos erros e como resignificamos para atingir a verdadeira evolução.

    9.0

    *Disponível na Disney Plus

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