Essa frase me fez virar a mente no entendimento da espécie humana. E da vida em si. Vem comigo que o texto é rápido hoje…
Foi numa palestra do João Branco, que trabalhou no marketing da McDonalds (foi Vice Presidente), que ouvi estra frase. “Eu preciso do seu trabalho”! Um grande marco no trabalho de alguém que lida com mercado publicitário é fazer parte do time do marketing da maior rede de fast-food do planeta. Mas o que ele trazia na fala de apresentação não eram dados, casos de sucesso ou números. Era alma.
Disse o João que aprendeu com os chefes da empresa sobre entender de gente, valorizar o serviço de cada um. E ali me peguei a refletir. Lembro que tomei um uber após a palestra e em direção ao hotel que estava hospedado em São Paulo, decidi parar no meio do caminho. Era final de tarde. Frio paulistano ao cair do sol. Andei dois quarteirões ainda no Itaim, até a estação de metrô da Funchal. Peguei o trem até imediações da Paulista. E ali, no vagão em pé. Olhando centenas, até milhares de outras pessoas pensei… profundamente. E aqui vai a filosofia.
O trabalho do maquinista do trem, do motorista do uber. A serviçal que limpou o banheiro do espaço de evento que estive naquela manhã e tarde. O agricultor que criou galinhas e ordenhou uma vaca, meu café da manhã foi ovos mexidos e queijo. E até o cafeicultor que produziu nalguma fazenda o ouro negro que bebo todos os dias. O caminhoneiro que transportou isto tudo. A pessoa que embalou. Quem organizou o sistema de vendas. A camareira que havia arrumado meu quarto do hotel no dia anterior, ou naquela manhã assim que eu retornasse à hospedagem. Do engenheiro que operava o sistema de metrô naquele dia – eu anos após tive a oportunidade de conhecer a sala de operações, lembrei sim daquele momento que o pensamento do João me pegou em cheio. E por falar no João, eu decidi jantar num McDonalds que ficava na Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio. Com fone no ouvido pensei no sueco que inventou o spotify. Em quem produziu o moletom que eu usava. Caminhei alguns passos da Estação do Trianon até a lanchonete e olhei um policial militar numa esquina, um gari logo a frente. E balbuciei… “obrigado”.
Aqui é uma vã filosofia para que todos nós possamos ter em consciência que precisamos uns do trabalho dos outros. Escrevo isto no melhor trimestre da história no quesito desemprego. A menor série de todos os tempos dá que apenas 5,4% da população economicamente ativa em busca de um trabalho está sem um trabalho. E eles precisam de seu trabalho. E nós precisamos do trabalho deles.

