Trabalhar com dados é essencial. Contra eles não existem argumentos. Entretanto obtive enfrentamentos da desconfiança política ante aos números oficiais de Órgãos de Governo.
Em tempos de polarização política… até de número de desconfia!
O IBGE e o IPEA ficaram em cheque. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Se antes foram sinônimo de orgulho nacional agora viraram ponto de discórdia. Antes de julgar, faço jus. Tanto nos governos Lula quanto Dilma ou Temer e Bolsonaro. O padrão metodológico é o mesmo. Ainda ressalto que senti-me honrado no dia em que conheci a sede do IBGE no Rio de Janeiro. Próximo ao Aeroporto Santos Dumont, o Gabinete da Presidência ficava num andar alto com vista para Baía de Guanabara. Parecia uma biblioteca. Entidade de relevância para nosso país.
Vamos aos números, com dados e fatos. A notícia é que o Brasil chegou no melhor momento em que há menos desigualdade da história. São os números do IPEA. Em trinta anos, a melhor performance.
Pelo IBGE podemos concluir que entre 1995 e 2024 a extrema pobreza caiu de 25% para 5%. É fato. O trabalho, oficialmente pelo CAGED, e programas sociais de transferência de renda como o inicial Bolsa Escola + Vale Gás de FHC, o Bolsa Família do Lula e o Auxílio Brasil com Bolsonaro. Nomes diferentes para o mesmo programa. Ajudaram pobres a melhorarem ascendendo socialmente. A Renda Média Familiar subiu em 70% durante este período. Saindo de R$ 1.191 para R$ 2.015. Consolidando que 8 milhões de Brasileiros saíram da pobreza, somente na última década. É o Real, muito além do nome de nossa moeda.
Ainda, via IBGE e IPEA, os dados consolidados para o Índice de Gini – coeficiente que mede a desigualdade entre nações – traz que o Brasil em 1996 atingiu pior número em 61,6 e agora em 2025 atingiu o menor com 50,4. Quanto menor menos desigual.
Mas, numa adversidade do vocabulário, temos um estudo internacional que contesta os dados oficiais brasileiros. É o World Inequality Report 2026 – Relatório Mundial de Desigualdade – onde economistas internacionais, dentre estes o francês Thomas Piketty, citam que no Brasil há um fato que precisa ser levado em conta. Aí contra este fato não se devem ter argumentos.
A pesquisa que alimenta o IBGE acerca dos números é a PNAD Contínua. Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar. Ocorre a cada três meses. Entretanto é um censo auto declaratório, este é o fato do caso. Do tipo cor de pele e renda serem determinados pela pessoa que responde a pesquisa, sem métrica ou critério. É aí que mora o desvio padrão da evidência. Os muito ricos não recebem a pesquisa em casa. Se fizermos recorte do 1% mais rico para o 0,1% mais rico há uma grande diferença. Mas também acessando os 10% mais ricos do país, este padrão é eivado de nulidade pela autodeclaração. Quando se fala o verbo declarar logo se pensa em Imposto de Renda. E o brasileiro tem culturalmente a ideia de não declarar com assertividade os seus ganhos. Ricos mentem por, óbvio, não quererem pagar ainda mais imposto.
Em janeiro de 2026, próximo mês, inicia-se a nova tabela do Imposto de Renda com isenção para os que recebem menos de R$ 5 mil mensais e uma nova escala para os que ganham acima de R$ 50 mil.
Em dados, os 10% mais ricos detinham 57,9% da renda em 2014. Uma década depois este índice subiu para 59,1%. Os 50% mais pobres concentravam 10,7% da renda total, e em 2024 tinha 9,3%. É aquela velha máxima, observando dados da Receita Federal, que a desigualdade aumentou. Se fizermos a divisão dos 10% mais ricos divididos pelo 50% mais pobres o número relativo que era de 53,7 subiu para 63,5. Isso é numericamente, em uma conta simples, afirmar que a desigualdade cresceu 10% nos últimos 10 anos. Foi só introduzir números de Receita além de IBGE e IPEA que a ótica sobre o tema mudou.
Tempo de esperança, esperamos que a consequência material da nova tabela de I.R. seja diminuir desigualdades. Isso é aspecto de esperança futura. Mas, por ora, podemos comemorar que sim. Estamos diminuindo a pobreza.

