A Polícia Civil do Distrito Federal investiga técnicos de enfermagem suspeitos de provocar a morte de pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. De acordo com a apuração, os profissionais assistiam às vítimas entrarem em parada cardíaca sem intervir e só simulavam tentativas de socorro quando havia outras pessoas no local.
Segundo investigadores, o grupo chamava atenção pela frieza na execução dos procedimentos. Imagens de segurança mostram que os técnicos permaneciam próximos aos leitos momentos antes das mortes e, em alguns casos, não houve qualquer reação imediata compatível com um atendimento de emergência.
Inicialmente, os suspeitos negaram envolvimento. Após serem confrontados com imagens e outros elementos da investigação, confessaram participação, segundo a PCDF. Um dos técnicos, de 24 anos, teria utilizado indevidamente o sistema eletrônico do hospital, acessando uma conta médica para prescrever medicamentos incompatíveis com o quadro clínico das vítimas. Ele retirava as substâncias na farmácia e as aplicava nos pacientes sem autorização médica.
Em ao menos um caso, a polícia identificou a aplicação repetida de desinfetante por via intravenosa, substância sem qualquer indicação para uso humano e capaz de causar danos graves e imediatos. Após a aplicação dos produtos, os técnicos acompanhavam a evolução do quadro clínico sem acionar a equipe médica ou iniciar protocolos de emergência. As manobras de reanimação só eram realizadas quando havia circulação de outros profissionais, com o objetivo de simular tentativas de socorro.
Três ex-técnicos de enfermagem, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, foram presos por suspeita de envolvimento em três homicídios ocorridos nos meses de novembro e dezembro do ano passado. A dinâmica dos crimes foi revelada a partir da análise das câmeras de segurança instaladas na UTI.

