Expressar os sentimentos nem sempre é uma coisa fácil. Na verdade, acredito ser uma tarefa difícil para a maioria das pessoas. Falar que ama, pedir perdão, agradecer ou explicar atitudes, passa por romper barreiras emocionais, cruzar pontes internas e se expor com a mais pura honestidade. Sem ressalvas, sem “poréns”.
Diante de tal dificuldade e da necessidade de se “fazer ouvir” inventamos formas de nos comunicar, de abrir janelas abstratas para o vento enfim arejar o ambiente.
Em “Hamnet” conhecemos a história antes do clássico “A Tragédia de Hamlet”, de William Shakespeare.
Um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme, “Hamnet” traz a história de Agnes e o marido Shakespeare. Acometidos por uma tragédia familiar, o longa aborda o impacto do evento na vida da família e na obra do dramaturgo.
Apesar de ser a figura mais ilustre, Shakespeare não é o foco principal do filme, que direciona sua câmera primordialmente em Agnes, uma mulher que buscou na natureza o conforto ao perder a mãe ainda criança e passou a lutar com todas as forças pelo bem estar de sua família.
E é preciso salientar o trabalho magnífico da atriz Jessie Buckley. Digna de todos os prêmios, ela entrega uma interpretação visceral, pulsante e humana. Paul Mescal também merece elogios e protestos por não figurar entre os indicados ao Oscar. Azar do Oscar.
Diferente da maioria dos concorrentes na categoria de Melhor Filme, “Hamnet” não tem um ritmo frenético, perseguições, conspirações ou longos textos para mastigar aquilo que o espectador deve sentir.
A cineasta Chloé Zhao constrói as relações, fala sobre luto e despedidas, investe em seus personagens e colhe um final arrebatador. Nos mantém sufocados para só então abrir as já citadas janelas abstratas e sentirmos o respiro que alivia e nos devolve a vida.
Filmaço.
9,5
*Disponível nos cinemas
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