Um autor que decidiu desinstalar o jogo Roblox do tablet do filho de 10 anos afirma que a plataforma é estruturada para viciar crianças, utilizando estratégias semelhantes às adotadas por cassinos e máquinas caça-níqueis. Segundo ele, a decisão veio após um período de brigas e negociações em casa e foi motivada pelo recorde do jogo “Roube um Brainrot”, que reuniu 24 milhões de jogadores simultâneos em 13 de setembro de 2025.
De acordo com o autor, o Roblox vai além de problemas já conhecidos, como conteúdos inadequados e a presença de predadores sexuais. Ele aponta que a plataforma aposta em mecanismos de reforço intermitente, metas contínuas e ciclos de recompensa que mantêm o usuário constantemente engajado.
O funcionamento do jogo é comparado à lógica das máquinas de apostas descritas pela antropóloga Natasha Dow Schüll no livro Addiction by Design. O autor também cita uma entrevista do CEO da Roblox, David Baszucki, ao podcast Hard Fork, do The New York Times, na qual o executivo teria afirmado que um sistema de apostas parecia “muito divertido e óbvio”.
Outro ponto de crítica é o modelo de monetização da plataforma, baseado na moeda virtual Robux, em microtransações e em itens aleatórios conhecidos como “lucky blocks”, além da facilidade de criação de contas sem verificação de identidade. Segundo o autor, é possível criar até 95 contas em uma hora.
Ele relata ainda dificuldades para remover definitivamente a conta do filho. De acordo com o relato, foi necessário trocar mais de uma dezena de e-mails com a empresa, além do envio de passaporte e fotografias, sob a alegação de violação à Lei Geral de Proteção de Dados.

