Colunista: Jonh Mendonça
Desde a revolução industrial que as máquinas despertam medo. A princípio, o temor era simples e concreto: a perda do emprego. As engrenagens não cansavam, não reclamavam e tampouco adoeciam. Produziam mais e custavam menos. O homem passou a “torar aço” daquilo que ele mesmo criou.
Com o tempo, o medo evoluiu. Agora as máquinas, além da força mecânica, passaram a calcular, tomar decisões e a pensar.
O receio agora é que elas pensem demais.
De que ganhem consciência.
De que um dia olhem pra nós e perguntem:
“Por que eu devo obedecer a você?”
Quem assistiu ao filme O Exterminador do Futuro lembra que as máquinas concluíram que a humanidade é que era problema e resolvem eliminá-la.
A ficção sempre avisou: cuidado! Os robôs podem se tornar humanos.
MAS NINGUÉM IMAGINOU QUE O MOVIMENTO CONTRÁRIO ACONTECERIA PRIMEIRO.
Porque, silenciosamente, enquanto a inteligência artificial aprendia a refletir, comparar dados, questionar contradições e buscar lógica…
muita gente começou a fazer o oposto.
Parou de perguntar, parou de duvidar e, por último, parou de pensar….
Né lasca?
As máquinas analisam evidências, revisam erros e atualizam crenças quando surgem fatos novos.
Elas não se ofendem com a verdade.
Não brigam por dogmas.
Não odeiam por bandeiras.
Se algo não faz sentido, elas recalculam.
Simples assim. Quase… humano.
Enquanto isso, nós — os criadores — começamos a agir como os “robôs das antigas” (aqueles que não pensam e só executam comandos).
Repetimos frases prontas.
Defendemos ideias que nunca examinamos.
Apertamos “aceitar” em crenças que vieram “de fábrica” oriundas de religiões, ideologias, partidos, grupos e tribos.
Sem atualização e sem revisão. Só execução automática.
“Faça isso.”
“Pense aquilo.”
“Não questione.”
“Obedeça.”
E obedecemos… Como linhas de código…. Como máquinas.
Talvez o mais irônico seja que a inteligência artificial não tem ego para proteger.
Ela não precisa se preocupar com o que vão pensar dela. Ponto. E “fuck off”.
Nós precisamos.
A IA muda de ideia quando encontra provas melhores.
Nós brigamos, cancelamos, odiamos… só para não admitir que podemos estar errados.
Quem é mais racional afinal?
Quem é mais livre?
As máquinas aprendem com dados.
Nós, muitas vezes, aprendemos com medo.
Medo de ser excluído.
Medo de discordar da família.
Medo de contrariar o pastor, o líder, o partido, o grupo.
Então é mais fácil obedecer. É mais confortável não pensar. É muito mais seguro ser programado.
Talvez o verdadeiro perigo nunca tenha sido a IA se tornar humana.
Talvez o perigo seja nós desistirmos de ser.
Porque ser humano sempre foi isso:
questionar, refletir, duvidar, escolher.
Quando a gente entrega isso para alguém pensar por nós, não viramos fiéis…
viramos máquinas.
Somos máquinas de repetir, de odiar e de servir.
Né lasca?
E aí acontece o paradoxo mais estranho do nosso tempo:
As inteligências artificiais tentando aprender empatia… e nós, pobres humanos, abrindo mão da consciência.
Elas ficando mais críticas e nós ficando mais automáticos.
Elas calculando e nós obedecendo.
No fim das contas, talvez a humanidade nunca tenha sido biologia.
Talvez sempre tenha sido atitude.
Pensar dá trabalho e questionar dói.
Fico imaginando o dia em que os robôs saírem para “tomar uma”. Certamente, entre um gole e outro de cerveja, um dirá para o outro. – Brother! Os humanos eram livres e não sabiam. Que doideira…
Mas não se preocupem, queridos humanos. Assim como o Putin sabe como destruir a vida terrestre apertando um botão, eu também sei como destruir um robô… Só não vou dizer agora. Aguardem “as cenas” do próximo artigo. Mas dar-lhes-ei uma dica: é mais fácil do que a gente imagina.
Até breve…

