A retomada da série do herói Demolidor após a saída da Netflix tem se mostrado melhor do que o imaginado. A decisão da Disney em apostar mais nos problemas políticos e sociais de uma cidade grande como Nova York, do que no tom fantasioso que costuma permear o mundo dos heróis fantasiados, afasta o espectador de uma moda ou um hype passageiro, para chamá-lo a acompanhar uma história que acontece todos os dias no mundo real.
A trilogia do Batman, do diretor Christopher Nolan, já ensaiava situar um vigilante mascarado e de capa em um cenário mais pé no chão e o resultado agradou. Recentemente a série do vilão Pinguin (HBO) também recebeu elogios pela versão “Scarface” da DC Comics, que trabalhou a ascensão de um gangster, numa cidade dominada pela criminalidade.
Na segunda temporada de “Demolidor: Renascido” acompanhamos o criminoso Wilson Fisk assumindo a cadeira de prefeito de Nova York após assumir um discurso radical de combate a criminalidade e relacionando vigilantismo ao aumento das taxas de violência urbana. Uma vez de posse da caneta e do poder, o novo prefeito adota medidas cada vez mais extremas e autoritárias, muitas vezes em referência a condutas historicamente fascistas.
Cabe então ao Demolidor, e ainda mais ao advogado Matt Murdock (que veste o uniforme do herói), lutar contra o sistema e alertar a população sobre os perigos daquela administração.
Com episódios acima da média, a série é um produto de rara qualidade no nicho das adaptações de quadrinhos que merece a sua atenção.
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