precisamos falar sobre o nosso futuro, logo!
O que é? Aversão ou rejeição social ao turismo e seus impactos negativos, como superlotação, aumento de preços, pressão sobre serviços públicos, descaracterização cultural. Provoca insatisfação dos moradores locais com excesso de visitantes. Ocasiona problemas de convivência e qualidade de vida do habitante local do destino turístico.
Assunto sério, que acontece há algum tempo, e não pode nem deve ser negligenciado.
Atrelado à turismofobia tem também o fenômeno da gentrificação, que fica para um próximo texto.
Em meados de 2022, a convite do CREA (Conselho Regional de Engenharia) na seccional Alagoas, fui convidado a debater sobre os impactos do turismo no mercado imobiliário. Era uma perspectiva para futuro que acarretaria na valorização do metro quadrado em Maceió. Pois bem, em apenas três anos nossa capital alagoana que é um dos cinco principais destinos turísticos de lazer no Brasil, também passou a ocupar um outro pódio. O de 4º cidade com metro quadrado mais valorizado do país. O custo médio em 2025 chegou a R$ 12.695,00. Eu falava sobre o futuro, que se torna presente, mas fui duramente contrariado por alguns presentes. Faz parte. É debate e urge pensar sobre o desenvolvimento sustentável do segmento que é hoje detentor da geração de 40% do PIB da cidade.
Vamos nos ater aos impactos. Superlotação. Final de ano chegando já percebe-se que na temporada é inviável transitar de carro próximo da orla. Restaurantes cheios. Pequenos mercados de bairros na zona turística também… e os preços aumentam. Seja na conveniência do posto de gasolina, na sorveteria que o morador frequenta o ano inteiro ou no café que fica sempre movimentado por novos visitantes. É parte. O lixo acumulado nos edifícios de quem mora próximo aos estúdios e quarto & sala. Também como a rede de telefonia congestiona com novos aparelhos, internet lenta. Alguns incômodos da vida comum. E até estacionar em locais que eram fáceis, torna-se difícil. Ou o barulho do barzinho do quarteirão de trás… turista vem de passagem e não possui certo cuidado com vizinhança. Aquele local não é pertencente a ele, em parte dos casos.
Dos destinos turísticos que mais sentem o impacto posso citar aqui duas grandes cidades europeias. Paris e Barcelona. Na Espanha tem-se tantas outras. E trago casos surreais de lá que… se não atuarmos hoje pode ocorrer aqui amanhã. Em Barcelona tem pickpocket – espécie de ladrão de carteira em ponto de movimento – que foca em turistas, não rouba da população em si. Num sentimento de extrair do visitante a culpa pelos altos preços do comércio local. É sério, isso existe! Tanto que cidades estão proibindo os airbnbs que chamo de ‘locação fracionada’. Pois se um apartamento na diária for rentável, aumenta-se o custo do aluguel mensal. Habitação em zona turística ficou extremamente caro – estou citando ainda a Europa, apesar de saber que chegou até nossas terras caetés. E assim algumas OTA’s (agência online de turismo) como Booking, hotéis.com já começaram a sofrer retaliações. A Prefeitura de Barcelona proibiu esta modalidade de hospedagem. Resguardando a economia de hospedagem em hotéis e pousadas. Orlando, na Flórida, permite os bnb’s com uma ressalva, a locação tem que ser a partir de 14 dias.
É uma reação política e jurídica ante a falta de solução mercadológica.
E aqui? Precisamos discutir. Até que não quero entrar no caso simplório de… nosso turismo é de lazer com sol e mar. Temos a maior barreira de corais do hemisfério ocidental no planeta. E se tivermos turismo de massa, perderemos esta atração num futuro próximo. Já há um branqueamento de corais, a morte do bioma marinho. Turismo de massa impacta a natureza e a vida humana só começa a sentir isto quando é difícil de contornar. Por enquanto o impacto é no bolso. Aos poucos. E muitos moradores locais não percebem que é efeito deste tipo de turismo, quando é predatório. Ambiental e cultural. A parte cultural tratarei também em um texto futuro.
Repito. Antes de finalizar este texto. Eu, autor, fui Secretário de Turismo da cidade, tive a oportunidade de assessorar o Ministro do Turismo em Brasília. Planejar e executar a política pública em âmbito nacional e local. Sou totalmente favorável ao segmento. Empreendo nesta área. Compreendo o lado extremamente positivo. Só faço o alerta do ordenamento. Haja visto nossa bandeira pressente que progresso vem precedido da ordem.
A imagem que aparece quando se busca no google sobre ‘turismofobia’ são icônicas. Vem a que traz “Barcelona Não está a venda”. Uma de marcha com milhares de pessoas protestando falando “turismo sim, mas não assim”. Uma das ilhas baleares na belíssima Riviera mediterrânea em Palma de Mallorca “não é turismofobia, é mallorquicídio”, em alusão filosófica sobre matar a cidade. Outra marcante na bela cidade de Málaga, na Andaluzia, que traz “Málaga para viver, não para sobreviver”.
E na que trago como ilustração para este texto numa pichação de um muro que traz um turista tirando uma foto da cidade, escrita em inglês na espanhola cidade de Barcelona.
TURISTA : SUA VIAGEM DE LUXO. MINHA MISÉRIA DIÁRIA.
Gentrificação. É outro impacto que falarei breve. Nos acompanhe. E se gostou deste texto, compartilhe, comente. Vá até as minhas redes sociais. Vamos falar no assunto!
E VIVA O TURISMO…

