Resposta simples: histórico. Mas então por que a história toda nos colocou como último colocado entre os estados? É algo bem mais profundo.
Nossa formação como sociedade. Da escravatura, da dependência do setor sucroalcooleiro na cana-de-açúcar (economia não pode ser vilã, a formação social deste setor talvez), da concentração de renda na mão das famílias dos senhores de engenho, e muito mais… olhar para trás vamos para o foco dos últimos tempos!
Em 2010 o Censo IBGE com dados gerais do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) dos órgãos de educação trazia que o Brasil possuía 9,6% de analfabetismo. Já estávamos concluindo a primeira década do terceiro milênio e ainda tínhamos um país em atraso neste quesito. Não comparemos, por ora, com outras nações. A evolução nacional foi positiva, evoluímos 44,79% e chegamos agora em 2024 ao patamar de 5,3%. Menor índice histórico, pelo menos. Em números totais temos 9,1 milhão de pessoas que ainda não sabem ler, mais da metade são pessoas com mais de 60 anos.
Das unidades da federação já se sabia que a última posição era ocupada por Alagoas. Em 2010 registrava 24,3%, agora bate o índice de 14,2%. A região Nordeste concentra os 9 piores estados do país. A evolução nordestina que possuía 17,6% dos analfabetos em 2010 e em 2024 marca 14,2% foi de 36,9%, muito tímida. Alagoas evoluiu acima da média regional em uma redução de 41,5% de sua população não letrada.
A capital de maior índice de analfabetos é Maceió que tinha 11,4% em 2010, e hoje marca 6,4%. Uma redução de 43,8%. Similar ao avanço do estado como um todo e seguindo o mesmo ritmo do Brasil.
E do problema é necessário se pensar a solução. Que é gerencial, política e social.
Um ponto essencial. Idosos concentram o nível de não letramento em índices bem acima da média geral. Os dados avaliam a população acima de 15 anos. Portanto, o recorte de pessoas acima de 60 anos que deveria ser um foco para solução imediata. O EJA – Educação para Jovens e Adultos.
Quando se fala na comunidade escolar em idade de ensino. É preciso investir na manutenção do aluno em sala de aula. A chamada frequência escolar líquida. Que no ensino fundamental é alta (94%), porém vai caindo no ensino médio (69%) e praticamente vira exceção no ensino superior (18%). Alagoas é o último estado também nestas medições, mostrando que há uma ‘tragédia homogênea’. Ao longo dos anos o alagoano vai se desestimulando dos estudos.
Com isto o Estado de Alagoas criou nos últimos anos uma estratégia, que é a consolidada política pública chamada Escola 10, adotada pelo Governo Federal se transformou no Programa Pé de Meia, a principal grande política pública do Ministério da Educação. Uma formatação 4.0 do Bolsa Escola. Na prática é o “Paga-se para manter aluno em sala de aula estudando mediante avaliação”.
Resolver analfabetismo é manter aluno em sala, fazendo-o aprender. É preponderante combater a defasagem de escolaridade, que ocasiona baixo índice de conclusão e passagem de nível. Fazer o aluno passar de ano, o grande objetivo. E tudo começa pelo professor. Com formação continuada, valorização salarial que sempre é pauta dos sindicatos de educação, e afasta prejuízo do calendário evitando greves.
Todavia vem do IDEB a luz no fim do túnel que parece ser um farol de esperança. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) que mede alunos de todo o Brasil registra que Alagoas antes último, tal como na taxa de analfabetismo, evoluiu e saiu do 27º lugar para a 7ª posição. E ainda para melhorar o animus nas séries iniciais o estado de Alagoas registrou o 2º melhor índice, mostrando que para o futuro há de se ter melhores resultados. Este índice faz a medição da qualidade do ensino e da aprendizagem.
Como otimista inveterado que sou trago outra concepção minha acerca do resultado que a educação proporciona. Sendo pragmático fui avaliar a renda média por estado. Alagoas ocupa o 5º pior lugar. Apesar de péssimo, avançamos. Éramos o pior há pouco mais de uma década. Educação tem que ser formação humana em primeiro lugar, mas também inserção no mercado de trabalho, estímulo à produtividade para diminuirmos desigualdades, de todos os tipos.

Vislumbro educação como ícone essencial para a vida humana. No ensejo de se criar uma cultura na sociedade de buscar melhor viver. É bem além de números e índices, mas na perspectiva de buscar melhor qualidade para si e aos seus. Afinal, todos os bons exemplos de lugares do mundo têm em comum uma educação basilar forte e coesa como pano de fundo.

