Sem escalas ou conexões vamos direto à tendência econômica: turismo. 

    O Brasil acaba de bater recorde pelo 2º ano consecutivo. Em 2024 havíamos chegado na marca dos 6,7 milhões de turistas estrangeiros. Em 2025, somente em setembro, batemos os 7 milhões. E caminhando para fechar o ano em 8 mi. Um aumento 45% nos pós pandemia. E com a expectativa de incrementar o PIB nacional em R$ 35 bilhões, somente pelo setor.

       Já acumulamos 17 meses consecutivos de alta, e estamos entrando em dezembro que é a mais alta temporada. Este ano de 2025 também tivemos outra marca. O setor aeroviário ultrapassou os números de passageiros do modal rodoviário. Até outubro nossos aeroportos já haviam registrados 106 milhões de embarques. 

      O que nos ajuda a explicar isto pode ser aquilo que o Brasil tem de melhor: diversidade. Os estrangeiros estão descobrindo o nosso país. Norte, Nordeste e interior são o novo hype que aproxima estrangeiros dos nossos recursos naturais, turismo de base comunitária, atrativos de aventura mas também luxo e equipamentos de receptivo que profissionalizam o segmento. E eles vem principalmente da Argentina, que está em alta na economia. Mas também do Chile que agora ocupa o 2º lugar como polo emissor tendo passado os Estados Unidos, agora em 3º.   

      O Plano Nacional de Turismo (PNT) previa que chegássemos aos 8 milhões de visitantes somente em 2027. Agora repactuam a meta e nossa tendência é de receber 10 milhões de estrangeiros já em 2026, mas nem só de gringo vivemos no setor. O mercado doméstico está em alta e aquecido. Com todo destaque do mundo para minha Alagoas.

      Nunca se viajou tanto aqui dentro. Em 2024 o setor cresceu 11,7% e gerou R$ 20,3 bilhões. O IBGE junto ao Ministério do Turismo monitora juntos através da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio com foco no setor. Em 19% das famílias registrou-se pelo menos uma viagem a turismo. E o destino mais desejado? Alagoas. E o mais caro também. 

       O visitante de Alagoas em 2024 teve gasto médio diário de R$ 366, e média nacional foi de R$ 268. Quando se estratifica por viagem o que visitou o solo alagoano teve dispêndio de R$ 3.790, a média de quem viaja para o nordeste foi de R$ 2.523. Logo, o Estado de Alagoas consegue faturar 50% a mais que os demais estados da região nordeste. É sim um grande feito.

       Atribuo à demanda elevada pelo desejo do destino. Somos sim o mais lindo território em atrativos de sol e mar. Ainda com diversificação de produtos, evolução da gastronomia local, melhoria permanente da infraestrutura em nossos alojamentos, nosso serviço agregado de luxo e modo premium para visitantes AAA (Triple A é um mercado de alto luxo). E lógico, há três décadas Alagoas trabalha o foco de atrair famílias apostando na retenção e retorno contínuo. Tornando hóspede passante em freguês.

      Eu fico feliz no contexto geral, e no local também. Em 2014 no período pré-Copa do Mundo e Olímpiadas do Rio 2016, trabalhei no Ministério do Turismo e tínhamos ambição de atingir em 2017 a meta que somente agora foi batida. Anos depois, ainda na pandemia assumi a chefia do turismo em Maceió, setor que é responsável por 38% do PIB local. É o principal gerador de empregos. E conseguimos produzir o fu.turismo de pensar no turismo futuro, agora realidade presente. 

      O que mais vibro nesta conta é a geração de empregos, circulação de renda. O Brasil acumula 8% dos empregos gerados no setor do turismo. Estamos com melhor série histórica em criação de postos de trabalho, não é coincidência que o segmento turístico também esteja batendo recordes. E um recorte dos dados oficiais nos mostra isto.

      Somente o setor de restaurantes e alojamentos, pelo agrupamento extraído do Ministério do Trabalho, o Brasil emprega formalmente 4,3% dos trabalhadores, Alagoas 4,9% e Maceió a marca de 5,5%. Quanto mais o território é um destino indutor de turismo, mais renda agregada na atividade econômica. E continua, pois há uma previsão forte de que até 2035 sejam gerados mais 1,5 milhão de postos de trabalho no turismo. 

      Com a indústria 4.0 e o Agro 4.0 cada vez mais mecânico. O Turismo 4.0 se destaca por ser ainda mais humano. É gente construindo o sonho de viajar de outras tantas pessoas. Experiências, sabores, cheiros, imagens… o desejo vende, a emoção faz o preço ficar ainda maior. 

      E assim vamos descobrindo o Brasil, através do turismo. A nossa nova grande fronteira econômica!

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