Um estudo internacional aponta que praticamente todos os casos de infarto e derrame estão ligados a fatores de risco já presentes anteriormente. Segundo os pesquisadores, mais de 99% das pessoas que sofreram infarto, AVC ou insuficiência cardíaca tinham pelo menos um desses fatores antes do evento, muitas vezes detectáveis anos antes do diagnóstico.

    A pesquisa foi publicada em setembro de 2025 no Journal of the American College of Cardiology e avaliou dados de mais de 9,3 milhões de adultos da Coreia do Sul, acompanhados entre 2009 e 2022.

    O levantamento também incluiu informações médicas de cerca de 7 mil adultos nos Estados Unidos, monitorados por quase 20 anos. Esse acompanhamento de longo prazo permitiu observar como mudanças frequentes na saúde antecedem quadros cardiovasculares graves.

    Os cientistas consideraram quatro fatores clássicos na cardiologia: pressão arterial elevada, colesterol alto, aumento da glicose no sangue e tabagismo. Os critérios adotados seguem diretrizes internacionais, como as da American Heart Association.

    Os resultados indicam que mais de 99% das pessoas que tiveram o primeiro evento cardiovascular apresentavam ao menos um desses fatores fora do padrão ideal. Além disso, entre 93% e 97% acumulavam dois ou mais fatores simultaneamente.

    Mesmo entre mulheres com menos de 60 anos, grupo geralmente considerado de menor risco, mais de 95% já apresentavam alguma alteração antes de sofrer infarto ou AVC.

    Entre todos os fatores analisados, a hipertensão foi o mais recorrente. Ela esteve presente em mais de 95% dos participantes sul-coreanos e em mais de 93% dos americanos que tiveram eventos cardiovasculares.

    Por ser uma condição silenciosa, a pressão alta costuma provocar danos progressivos aos vasos sanguíneos sem apresentar sintomas claros.

    Share.