Estou viajando e quando passei por Portugal, uma situação me chamou muito atenção.

    Comprei 03 chips por 75 euros para uso ilimitado de dados na Europa. Equivale a aproximados 487 Reais. Falei que deixaria os chips com ele e iria pegar minha carteira, pois tinha esquecido. — Ele respondeu: “De forma nenhuma. Pode levar os chips eu sei que você voltará e se não voltar eu não irei atrás do senhor”.

    Foi quando me lembrei da nossa bic presa na corrente.

    — Que pais estamos vivendo e no que nossa sociedade se transformou?

    Lembrei dos patinetes quando chegaram em Natal. Lembrei do Banco master. Lembrei da Lavajato. Lembrei de tanta coisa.

    Exigir ética apenas de cima, ignorando o colapso embaixo, é conforto moral. A caneta acorrentada não é só prevenção: é confissão. Confissão de que normalizamos o desvio, administramos a falta de civilidade.

    Algo precisa ser feito com o emprenho de todos. Seja nas próximas eleições seja em cada contato que tivermos com o próximo.

    Mesmo inseridos nesse caos naturalizado, Ainda assim, isso não nos exime de exigir dos governantes políticas públicas sérias, contínuas e verificáveis de investimento em educação. Não como slogan de campanha, mas como projeto de longo prazo. Porque é na educação — e apenas nela — que se rompe o ciclo em que a desconfiança é o padrão das relações.

    Certamente o problema não seja apenas quem nos governa.

    Talvez seja o país que, há muito tempo, aprendeu a acorrentar objetos — e a soltar princípios.

    Mas reconhecermos a realidade é o primeiro passo para as mudanças.

    — Muda, Brasil.

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