Uma equipe liderada pelo oncologista espanhol Mariano Barbacid, do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas (CNIO), alcançou um avanço inédito na pesquisa contra o câncer de pâncreas ao eliminar completamente tumores em modelos animais.
O estudo utilizou uma combinação de três medicamentos de baixa toxicidade que atuam simultaneamente em diferentes mecanismos responsáveis pelo crescimento do tumor. A estratégia impede que o câncer desenvolva resistência ao tratamento e levou à regressão completa e duradoura da doença nos ratos, resultado considerado sem precedentes para esse tipo de tumor.
O câncer de pâncreas está entre os mais agressivos da medicina. A forma mais comum da doença, o adenocarcinoma ductal pancreático, apresenta taxa de sobrevida em cinco anos inferior a 10%, podendo ficar próxima de 5% em alguns cenários, o que torna qualquer avanço científico especialmente relevante.
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores destacam que os resultados ainda se restringem a testes em animais. Segundo o próprio Barbacid, ainda não há condições de iniciar ensaios clínicos imediatos com essa combinação terapêutica. O próximo passo será adaptar o tratamento para uso em humanos e avançar para testes clínicos quando houver segurança científica suficiente.
Na avaliação apresentada no texto original, dois cientistas recebem destaque pelo impacto potencial de seus trabalhos. Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, é citada pelo desenvolvimento da polilaminina, substância experimental com potencial de regenerar nervos e reverter lesões medulares. Já Mariano Barbacid é apontado como possível responsável por abrir caminho para uma revolução no tratamento de um dos cânceres mais letais da medicina moderna.

