Não é só o preço. Nem o marketing do título de “passagem mais barata do Brasil” que assegurará aos maceioenses a escolha pelo ônibus como principal meio de transporte. Esse é o Passo 1. Ao todo são três os passos que podem resolver a questão. O Passo 2 e o Passo 3 estão no final deste texto.

      Vamos a alguns números que apontam a principal causa do problema do trânsito na capital alagoana. De acordo com dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) do Ministério dos Transportes, em informação trazida pelo Blog do Edivaldo Junior na gazetaweb. Em uma década entre 2015 e 2025 o estado de Alagoas cresceu 73% em sua frota. Eram 717 mil veículos registrados e agora são 1 milhão e 242 mil. Para efeito comparativo o Brasil teve aumento de 30% na frota, Alagoas cresceu 2,4 vezes mais.

      Se formos fazer um recorte de dados apenas em motocicletas ocorreu aumento de 94%. Eram 243 mil e agora são 471 mil registros. É aí o X da questão.

      Sabe as propagandas de moto? “Cabe no seu bolso”. “Custa menos de duas passagens de ônibus por dia”. Ou até o mais convincente… “Consórcio de moto que te leva onde você quiser na hora que preferir pelo mesmo preço da passagem de ônibus lotado”. 

      Maceió chegou a ter na década passada 140 mil usuários diários de ônibus. Talvez três fatores tenham trazido a mudança de paradigma, além da questão da moto. 

    PRIMEIRO: Tivemos a entrada de aplicativos de transporte de maneira massiva, seja Uber ou qualquer outro. Que mudou a forma de pessoas se locomoverem entre lugares. 

    SEGUNDO: A pandemia da covid que fez pessoas evitarem locais de aglomeração e o transporte caótico e lotado pode ter sim afastado seu público cativo. Números trazem que desde o pós-pandemia em Maceió foi gradativo o retorno de 70 mil passageiros/dia em 2022, indo para 90 mil em 2023 e 114 em 2024. Não recebi os números de 2025. São dados em consolidação e o SIMM – Sistema Integrado de Mobilidade Maceió – precisam de maior transparência. 

    TERCEIRO: Maceió é a única cidade do mundo que possuiu uma pandemia urbana localizada. A maior migração interna do Planeta Terra. Onde 8% da população, ou seja, 76 mil pessoas, mudaram de domicílio por conta do afundamento de solo em alguns bairros. O famoso Caso Braskem. E com isto, o impacto. Morar longe do trabalho, perder trabalho, mudar escola, ter atendimento médico em outro lugar… uma infinidade de circunstâncias.

      Há em curso um Plano de Mobilidade sendo feito pela Prefeitura com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Será feita pesquisa matriz origem-destino que verifica o fluxo das pessoas em Maceió. De onde saio, para onde vou… todos os dias. É uma pergunta necessária. Este é o Passo 2. Entender a dinâmica humana na zona urbana.

      E com isso necessitaremos mudar a quantidade de rotas, locais de parada de ônibus, melhorar os abrigos. Este é o Passo 3. Com tecnologia ainda inovar no monitoramento em tempo real de ônibus por site ou aplicativo. Já pensou uma mulher poder cronometrar o horário que ela precisa sair a noite do trabalho a pé até o ponto de ônibus, para esperar o mínimo possível? É empatia no combate à violência. Também é necessário ter mais disponibilidade de pontos, para ficar mais próximo das pessoas e de onde elas moram. Nos últimos anos as paradas de ônibus não foram readaptadas ao novo desenho habitacional da cidade. Tem gente que anda até 2 km a pé para pegar ônibus. Pontos sem abrigo numa cidade com sol a pino e chuva em cerca de 80 dias ao ano. A iluminação nestes locais, e no trajeto para eles, é crucial. Como também a questão da limpeza urbana dos espaços públicos e controle de terrenos baldios e prédios abandonados.

       A imagem acima é gerada por IA (Inteligência Artificial). Mas traduz a realidade de um usuário do transporte coletivo e seus enfrentamentos dos problemas urbanos reais.

    E por aqui falamos apenas de ônibus, nem de VLT, BRT ou metrô. Promessas intangíveis, por ora, para a sociedade. Porém, se alguém prometer algo sem o Plano de Mobilidade. Eu afirmo, será fake News… ou tão somente a promessa vazia de quem não entende desse ramo.

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