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Um relatório elaborado por uma comissão do Congresso dos Estados Unidos dedicada ao monitoramento da China afirma que o Brasil abrigaria uma suposta instalação com potencial de uso militar chinês. A estrutura, chamada de Estação Terrestre de Tucano, estaria localizada em Salvador (BA), na sede da empresa brasileira do setor aeroespacial Ayla Space, que mantém parceria com a companhia chinesa Beijing Tianlian Space Technology.
O documento classifica a unidade como “não oficial” e aponta que ela teria capacidade de auxiliar a China na identificação de ativos militares estrangeiros e no rastreamento de objetos espaciais em tempo real na América do Sul. Segundo o relatório, a instalação também poderia permitir à República Popular da China acompanhar e influenciar a doutrina espacial brasileira, além de estabelecer presença permanente em uma região considerada estratégica para a segurança nacional norte-americana.
O texto cita ainda outra estrutura no país, o Laboratório Conjunto China–Brasil, como parte dessa cooperação tecnológica.
De acordo com o relatório, a China manteria ao menos dez instalações semelhantes na América do Sul. A avaliação é de que essas parcerias fazem parte de uma estratégia mais ampla de ampliação de influência por meio do comércio bilateral e de investimentos em setores considerados sensíveis, o que, na visão dos parlamentares norte-americanos, poderia abrir caminho para o uso dessas infraestruturas em favor de interesses chineses.
A Ayla Space foi instalada na Bahia em 2019. As negociações para a implantação da empresa começaram em anos anteriores, ainda durante o governo Michel Temer. A operação teve início na gestão Jair Bolsonaro e foi ampliada no atual governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Independentemente das mudanças de governo, a relação com a China tem sido tratada como estratégica pelo Brasil. Em 2025, o país asiático foi o principal parceiro comercial brasileiro, respondendo por 27,2% do intercâmbio total, que somou US$ 171 bilhões. Os chineses foram destino de 28,7% das exportações brasileiras e origem de 25,3% das importações. Apenas o agronegócio movimentou cerca de US$ 100 bilhões na relação bilateral.

