Uma reportagem publicada pela BBC News afirma que Cuba enfrenta um quadro de escassez alimentar e energética que, segundo moradores entrevistados pela emissora, tem alterado de forma profunda as condições de vida no país.

    O texto descreve que parte da população voltou a utilizar lenha e carvão para preparar alimentos. O cenário lembra imagens exibidas no Museu da Revolução, em Havana, onde exposições retratam a pobreza existente antes da revolução de 1959 que levou Fidel Castro ao poder.

    Fotografias expostas no museu mostram famílias vivendo em cabanas de folhas de palmeira e cozinhando em fogões improvisados. Segundo a reportagem, moradores da capital cubana afirmam que a situação atual se aproxima das condições retratadas nessas imagens históricas.

    Uma das entrevistadas, a dona de casa Lisandra Botey, afirma que a família precisa recolher lenha diariamente para preparar refeições. “Toda manhã, precisamos ir à praia [em Havana] para buscar lenha”, disse. “Depois, trazemos para casa para fazer o café da manhã porque, quando temos eletricidade, é durante o horário escolar.” O marido dela, Brenei Hernández, relata incerteza sobre a alimentação da família. “Todos os dias é a mesma fome, a mesma miséria”, afirmou à emissora. 

    A reportagem lista interrupções prolongadas no fornecimento de eletricidade em diversas regiões da ilha. Em Havana, os cortes podem chegar a 15 horas diárias, segundo o relato. Hospitais mantêm funcionamento restrito a casos considerados emergenciais, enquanto escolas deixam de abrir em vários dias. A coleta de lixo também foi afetada pela falta de combustível para os caminhões de serviço urbano.

    Registros apontam que Cuba enfrenta apagões recorrentes nos últimos anos, resultado de escassez de combustível, falhas em usinas termelétricas e problemas estruturais na rede elétrica do país. A crise energética também afeta atividades econômicas e transporte. Motoristas relatam filas prolongadas em postos de combustíveis e dificuldades para abastecer veículos. A reportagem também relaciona o agravamento da crise ao colapso no fornecimento de petróleo venezuelano.

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