A principal e mais badalada premiação do cinema mundial entregará pela 98º vez as famosas estatuetas douradas para os destaques da última temporada.

    O Oscar atravessou crises e críticas, mas sempre se mostrou relevante e desejado, conferindo inegável prestígios aos seus indicados e principalmente, aos vencedores.

    Supostamente, a premiação tem como objetivo reconhecer os talentos do cinema mundial, mas na prática sabemos que se trata de uma festa da indústria do cinema americano em que eventualmente produções de outras nacionalidades e línguas não inglesas recebem holofotes fora da categoria de “Melhor Filme Internacional”. É como se os “estrangeiros” de fora de Hollywood fossem convidados com acesso limitado à poucas áreas de uma grande festa.

    Mas quem recusa uma boa celebração, cheia de gente famosa, astros, ídolos e cheia de história? 

    Durante anos o cinema nacional flertou com indicações ao Oscar de Filme Internacional. E a cada não indicação uma espécie de decepção se instaurava, como se figurar entre os indicados fosse o objetivo final de toda produção cinematográfica.

    Em 2025, finalmente veio a estatueta com “Ainda Estou Aqui”. No Brasil festejamos a vitória e reclamamos a derrota da atriz Fernanda Torres. O belo trabalho do diretor Walter Salles foi reconhecido, mas “Ainda Estou Aqui” precisava mesmo do Oscar para ser validado como um grande filme? Ter vencido o prêmio o faz melhor que “Central do Brasil” e “Cidade de Deus”, que passaram em branco?

    Entendo que ter o “selo Oscar” atrelado a uma produção funciona como uma marca de prestígio que ajuda na divulgação, promoção e na penetração nos mais diversos mercados de cinema. Seja dentro ou fora do país de origem.

    Porém o mérito aqui é medir a qualidade de um filme pelo que ele é, e não pela a atenção que recebe da mídia internacional. 

    Será que Leandro Firmino, que deu vida ao temido Zé Pequeno, merecia menos reconhecimento que Jude Law, no esquecível “Cold Mountain”? “Cidade de Deus” é inferior a “Seabiscuit” (que você está nesse exato momento pesquisando na internet porque não lembra que filme é esse) que figurava entre os cinco indicados a Melhor Filme? Ou ainda, o próprio Wagner Moura não deveria completar o grupo dos cinco selecionados pra Melhor Ator em 2012 por sua atuação em “Tropa de Elite 2”?

    No próximo domingo vamos continuar torcendo pelos nossos. Torcida para “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, por Wagner Moura e pelo fotógrafo do filme “Sonhos de Trem”, Adolpho Veloso. Vencer é bom até no par ou ímpar. 

    Contudo, o trabalho já está feito e muito bem feito. O Oscar é apenas uma pequena cereja no bolo, que embeleza, mas não garante o sabor.

    Instagram: @resenha100nota

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