Dois milhões de pessoas lotaram a praia de Copacabana para ouvir um show de música. Dançaram e cantaram os hits memoráveis da Shakira. A qualidade do seu repertório foi suficiente para embalar as milhares de pessoas. Não precisou de lactação nem levantar bandeiras nem de polemizar em busca de engajamento e aplausos. — Sua música bastou.

    Madonna nunca perdeu a oportunidade de transformar polêmica em produto. Queimou cruzes, hipersexualizou o palco e usou bandeiras de causas sociais como se fossem cenário de videoclipe. Tudo calculado para gerar manchete, engajamento e manter o nome circulando.

    Shakira fez o caminho inverso. Subiu no palco em Copacabana e entregou exatamente o que uma artista deve entregar: música boa, dança de verdade e uma energia capaz de fazer dois milhões de pessoas esquecerem que estavam espremidas numa faixa de areia. Sem performance de escândalo. Sem ritual para a imprensa. Sem precisar de polêmica para justificar o ingresso.

    — It’s a Material Girl!

    Artistas com o alcance e a fortuna de Madonna poderiam usar esse poder para causas reais — combater à violência contra as minorias e promover sua inclusão no mercado de trabalho, projetos concretos de impacto social. Mas a performance calculada para atrair público, a nudez gratuita e zombar da religião dá mais ibope do que financiar uma ONG séria.

    Shakira preferiu cantar. E ganhou. Encantou 200 milhões de brasileiros.

    — Whenever, Wherever.

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