Símbolo da infância de muitas crianças e jovens dos anos 80, “He-Man” é um desenho animado que passou a ser ridicularizado pela geração dos memes da internet, que fazia graça questionando a sexualidade de seus personagens, relembrando as lições de moral ao final dos episódios ou rindo com o apelo visual do herói musculoso.

    Porém, aquele universo de Eternia, com seus heróis e vilões coloridos, também carrega uma legião de fãs, embebidos em nostalgia e ainda esperançosos de uma boa adaptação para os cinemas, já que a versão de 1987, protagonizada por Dolph Lundgren foi uma verdadeira bomba.

    Anunciado o retorno do He-Man em 2026, era esperada a celebração da nostalgia oitentista e um grande aceno para aqueles que acompanhavam o desenho nas manhãs da Globo, mas o que vimo na estreia do longa metragem foi um grande deboche com aquele universo de fantasia. Transformaram a aventura infanto juvenil em uma comédia que ridicularizava a todo tempo o símbolo de uma época. Talvez o medo do ridículo fez com que os produtores decidissem abraçá-lo. A mensagem é algo do tipo: “Olha só o quão risível era aquilo que você gostava!”

    As piadas em sua grande maioria não tem graça e quebram os momentos que poderiam levantar a plateia. É praticamente proibido sentir qualquer emoção ou heroísmo sem ser interrompido por uma cena de humor duvidoso. E se alguém questionar que o filme não foi pensado no público mais velho, que o alvo são as crianças de hoje, não sei o que as piadas de cunho sexual estão fazendo ali.

    Para não falar apenas dos problemas, os atores estão bem nos papéis principais, temos boas caracterizações e cenas de ação que ameaçam empolgar. Há muitas referências ao desenho animado e isso é muito bacana.

    “Mestres do Universo” não precisava ser uma aventura sisuda pra ser convincente, tampouco uma galhofa para ser divertida. Era só equilibrar a força.

    5.0

    Instagram: @resenha100nota

    *Em cartaz nos cinemas

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