Após a infecção que levou Londres e o mundo ao caos, devido a um vírus da raiva que transformava humanos em seres irracionais e extremamente violentos, um grande grupo de sobreviventes cria um tipo de nova civilização em uma pequena ilha próxima do continente, onde de tempos em tempos alguns designados enfrentam os perigos do mundo além dos portões da cidadela.
Foi assim que o jovem Spike cruzou a fronteira com seu pai em busca de suprimentos e para aprender as primeiras lições sobre como se defender e matar infectados. Porém, ao descobrir que um médico solitário vivia na floresta o garoto decide fugir e levar a mãe doente para curá-la da enfermidade desconhecida.
O terceiro capítulo da franquia iniciada em 2002 e que teve sua primeira sequência em 2007, tinha como pilar o terror e a ameaça dos infectados, que nada mais eram do que agentes similares dos famigerados zumbis, porém mais rápidos e agressivos.
O diretor Danny Boyle e o roteirista Alex Garland foram bastante elogiados pelo trabalho de 2002 ao revigorarem o gênero e também por lançar o jovem Cillian Murphy nos cinemas.
Em 2007, foi a vez de Juan Carlos Fresnadillo entregar um produto bem menos criativo e muito mais genérico. “Extermínio 2” caprichou no sangue, tinha um elenco com nomes como Idris Elba, Rose Byrne e Jeremy Renner, mas um roteiro raso.
Quase 20 anos depois a dupla Boyle e Garland volta para o mundo pós apocalíptico de “Extermínio” com um filme bastante conceitual, filosófico e que provavelmente vai dividir opiniões.
Como o próprio subtítulo indica, Boyle propõe uma reflexão sobre as formas como a sociedade e até os infectados encontram para evoluir como seres individuais e sociais.
O cineasta situa sua nova história décadas após a primeira infecção e nos apresenta os zumbis como espécies de “homens das cavernas”, primitivos, muitos nus, vivendo na floresta, em tribos e liderados por “alfas”, dotados de mais força e inteligência do que os demais.
Em contra partida, o núcleo dos sobreviventes da ilha são representados como primeira civilização, de costumes bárbaros, rudimentares, mas dominantes, onde os homens são vistos como conquistadores. Com os olhos de hoje é nítido o tom crítico sobre o retrocesso social que se submete aquela comunidade.
Assim, com tantas camadas “Extermínio 3: A Evolução” começa propondo um tradicional filme de terror, mas em seguida envereda por um drama familiar estabelecendo as bases para as futuras continuações (que já foram confirmadas). Logo, estamos diante de um filme com muito mais a nos fazer pensar do que temer.
Os últimos minutos ainda mostram que o diretor pode seguir o caminho de distopias como “The Warriors” e “Laranja Mecânica”. Uma escolha ousada. Os bons fazem isso.
7.0
*Nos cinemas
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