As políticas públicas ficam falhando a todo instante, engasgando e morrendo sem avisar. Desta vez foi a ANP — Agência Nacional do Petróleo — que vai suspender por 30 dias o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis. Na prática, isso significa o seguinte: se o combustível estiver adulterado, você vai descobrir sozinho — quando estiver levando seu carro para oficina.

    — Seu carro vai tremer com essa notícia.

    O PMQC, que deveria ser a linha de frente contra fraudes em gasolina, etanol e diesel, será paralisado.

    A ANP alega falta de recursos: Segundo agência, autorização para despesas discricionárias caiu de R$ 749 milhões em 2013 para R$ 134 milhões em 2024 (-82%).

    Enquanto os cortes se impõem sobre a fiscalização, os postos continuam funcionando normalmente.

    Mas agora, com menos vigilância, menos fiscalização e mais liberdade para quem quer lucrar adulterando.

    E o consumidor?

    Fica no escuro.

    Sem saber se está pagando por gasolina pura ou por um coquetel de solvente, álcool e ilusão.

    É como se o governo federal dissesse, na prática:

    “Não temos como garantir que o combustível que você usa é confiável. Boa sorte.”

    Não é um problema técnico. É uma escolha política.

    Se há dinheiro para fundo eleitoral, perdão de dívidas bilionárias e shows patrocinados com verba pública, também deveria haver para garantir que o que sai da bomba não sabote o carro, o bolso e a vida do cidadão.

    O silêncio é combustível para a fraude.

    E se ninguém fiscaliza, então é hora de o povo começar a fiscalizar o governo.

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