Em “A Pior Pessoa do Mundo” acompanhamos Julie, uma mulher experimentando os caminhos profissionais e pessoais, enquanto lida com expectativas, seus desejos e o tempo.

    O longa norueguês tem direção de Joachim Trier, uma trilha sonora deliciosa e conta com o talento da atriz Renate Reinsve, que entrega uma protagonista fascinante e carismática. 

    Assistindo o filme, é difícil não ser fisgado pelo seu magnetismo em tela. 

    O roteiro, também assinado por Trier, conta a história em doze capítulos, um epílogo e um prólogo.  Nesse compilado Julie vai revelando a cada mudança as nuances de suas decisões, o medo de seguir um fluxo e ser absorvida por uma vida a qual se recusa a pertencer. Enquanto ela salta de um trem pra outro, alterando substancialmente o rumo, há o inevitável questionamento sobre o passar do tempo e em que ponto chegamos até aquele momento. As pressões sociais que empurram o homem e principalmente a mulher em uma direção geram paradigmas difíceis de quebrar e naturalmente causam desconforto e estranhamento quando alguém ousa navegar em sentido diverso ao script social, que de forma ilusória parece talhado em pedra. Escolher uma carreira convencional  sem ousar abandoná-la, casar, ter filhos e envelhecer sem questionar. Vivemos com essa ideia permanente que essa é a sequência obrigatória para felicidade. 

    Julie decidiu experimentar, querer e não querer. Ter e não ter. Isso tudo sem nunca deixar de ser.

    9.0

    *Disponível para aluguel no Youtube e Prime Vídeo

    @resenha100nota

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