O primeiro longa da franquia “Predador” e sua imediata sequência podem ser enquadrados como filmes de sobrevivência ou “horror de sobrevivência”, em que os protagonistas lutam para resistir à caçada do inimigo de outro planeta. Entretanto, “Predador: Terras Selvagens” chega aos cinemas mudando não apenas essa proposta, ao se tornar um filme ação e monstros, mas também subvertendo os conceitos de herói e vilão.

    Nesse sentido, entro em mais duas mudanças que rompem com os paradigmas da cinessérie e podem agradar ou não os fãs.

    Em todos os filmes anteriores tínhamos uma figura humana que funcionava como o elemento de identificação com o espectador. Era a nossa projeção na tela fugindo do Predador, uma criatura que fazia da caça um prazer, um ritual e um objetivo de vida. Suas caçadas não tinham relação com cadeia alimentar, seleção natural ou sobrevivência. Ali existia um certo sadismo, crueldade, um ser que vivia para matar e escravizar.

    Como adiantei, “Terras Selvagens” vai por outro caminho. O diretor Dan Trachtenberg escolhe humanizar o vilão, ensinando o valor da amizade e cooperação, tornando-o protagonista da história e não mais o antagonista.

    O enredo conduz um renegado Predador, expulso do seu clã, para um planeta selvagem, repleto de formas de vidas perigosas, onde habita uma terrível criatura, que poderia ser o troféu ideal para levar para casa e mostrar seu valor. Lá ele encontra uma androide destroçada que negocia com o caçador uma inusitada parceria para conseguirem seus objetivos.

    No quesito ação o filme consegue entregar bons momentos e os entusiastas de produções com monstros devem sair satisfeitos. Particularmente me incomoda o exagero de efeitos digitais.

    Também não curti a romantização da imagem do Predador, e a falta de um elemento humano repercute bastante na forma como nos relacionamos com a história.

    “Predador: Terras Selvagens” tem muito mais o tom da recente série “Alien: Earth”, do que com o longa encabeçado pelo astro Arnold Schwarzenegger, em 1987. Inclusive as produções se conectam nessa nova aventura e já indica que vem mais crossover  das franquias pela frente.

    6.5

    *Em cartaz nos cinemas

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