Poucos cineastas são tão bons em captar a verdade de histórias e personagens quanto Kleber Mendonça Filho. O diretor pernambucano, que já nos brindou com “Aquarius” e “Bacurau”, consegue unir estilo e autenticidade.
Com uma crítica social afiada, Kleber escolhe muito bem seus elencos de modo que tudo que vemos em tela tem um ar de naturalidade, de verdade.
Em “O Agente Secreto”, Wagner Moura é um professor e pesquisador universitário que passa a ser perseguido e precisa se refugiar em Pernambuco, enquanto tenta sair do país com o filho pequeno.
Passado na década de 70, o design de produção do filme é excelente. A fotografia, edição e montagem também garantem a estética estilosa e o charme do longa.
Wagner Moura tem o protagonismo na palma da mão. É uma interpretação sutil, sem exageros, mas poderosa. Tal como foi o trabalho de Fernanda Torres em “Ainda Estou Aqui”. O elenco de apoio engrandece o filme e favorece a atmosfera documental. E o que falar da maravilhosa Tânia Maria, a atriz de 78 anos que rouba cada cena em que aparece como a síndica do prédio que abriga refugiados?! Impossível conter o sorriso com sua presença.
Não sabemos se “O Agente Secreto” vai confirmar indicações aos principais prêmios do cinema internacional, mas, sinceramente, isso pouco importa. Esse é o tipo de filme que precisa antes de qualquer coisa reverberar no Brasil.
9.0
*Em cartaz nos cinemas

