JHC está fora de Alagoas em meio a operação da PF sobre Iprev/Master

PF e CGU cumprem oito mandados de busca no Iprev Maceió por suspeita de irregularidades em aporte de R$ 117 milhões no Banco Master; JHC, à frente da prefeitura à época, foi retirado da ação movida por Renan Calheiros sobre o caso e está fora do estado em meio à pressão por um posicionamento.

Por João Mendonça

Publicado em 10/08/2026 às 12:53

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O ex-prefeito de Maceió, JHC, à frente da capital na época dos aportes milionários no Banco Master de Daniel Vorcaro, está fora de Alagoas desde domingo (9), Dia dos Pais, supostamente em viagem de compromisso familiar.

Na manhã desta segunda-feira (10), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União cumpriram oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF em investigação sobre possíveis irregularidades na aplicação de R$ 117 milhões do Regime Próprio de Previdência Social de Maceió em Letras Financeiras de um banco privado, entre 2023 e 2024. A apuração busca esclarecer como foram conduzidos o credenciamento da instituição, a análise de risco e o processo de decisão dos investimentos.

Apesar da pressão por um posicionamento de JHC, vale lembrar: em decisão de 2 de julho deste ano, a Justiça de Alagoas retirou o ex-prefeito de processo movido por Renan Calheiros que apurava os aportes do Maceió Previdência no Master.

A Federação PSDB/Cidadania, ligada a JHC, acumula desde junho de 2026 uma sequência de ações judiciais contra jornalistas que noticiaram o aporte no Iprev Maceió. Em 14 de junho, o TRE-AL determinou que a Folha de Alagoas recolhesse exemplares físicos e apagasse publicações associando JHC ao escândalo (decisão que o editor) chefe João Mousinho classificou como "teratológica" e ferindo a liberdade de imprensa.

O padrão sofreu revés em 30 de julho: o TRE-AL rejeitou integralmente a ação movida contra o portal BNews Alagoas e o jornalista Carlos Victor Costa Silva, e o desembargador Rosmar Antonni Rodrigues Cavalcanti de Alencar declarou que a Justiça Eleitoral não deve assumir a função de revisora editorial da imprensa.

Vale notar que a própria base da federação rachou: a presidente do Cidadania em Maceió, Fátima Romar, declarou publicamente que o diretório municipal não assinou nem foi consultado sobre os processos, afirmando que jamais assinaria medidas desse tipo contra imprensa, influenciadores, sindicalistas, estudantes e um humorista.

A operação da PF sobre o caso Master/Iprev chega em novo cenário: JHC se apresenta como pré-candidato ao Governo de Alagoas e vem sofrendo desgastes nos últimos dias de campanha, inclusive faltando a convenção que seu partido lançaria seu nome ao pleito estadual. A pressão agora recai sobre uma nota ou posicionamento do ex-prefeito sobre o episódio ocorrido em sua gestão à frente da Prefeitura de Maceió.

Fica aberto o espaço para manifestação de JHC, da Federação PSDB/Cidadania e dos demais citados nesta reportagem, seja por nota, resposta a perguntas por escrito ou entrevista, presencial ou por telefone.


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