7 de setembro
Colunista: Dr. Bruno Ribeiro Dantas
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Algumas imagens sobrevivem ao próprio tempo. A de D. Pedro às margens do Ipiranga — arrancando a braçadeira portuguesa, desembainhando a espada e anunciando a separação - seguramente é uma delas. Mais de dois séculos depois, ainda remanesce naquele gesto algo que nos alcança: o instante em que o Brasil passou a dizer de si mesmo que queria seguir o próprio caminho. Não será despropositado lembrar: uma nação não se sustenta apenas por leis ou instituições. Há um componente menos visível, mas igualmente relevante: o sentimento de pertencimento. Sonegar a história de um povo pode serperverso. É ela que oferece a necessária retaguarda de nossas origens e permite compreender, senão todos os acontecimentos, ao menos a ideia que existe por trás deles. A condição humana reclama esse aporte das gerações anteriores.
No mesmo sentido, em o Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto construiu um personagem tomado por uma confiança quase desmedida nas potencialidades do Brasil. Seu equívoco não esteve em amar demasiadamente a pátria, mas em descobrir, tragicamente, que amar um país também é desejar que ele esteja à altura de suas possibilidades. Aqui, o nosso 7 de setembro conserva sua relevância. O orgulho nacional não exige a fantasia utópica de um Brasil perfeito. Temos uma história marcada por avanços, contramarchas e retrocessos. A realização é parcial.
Mesmo assim, não me passa despercebido que há grandeza e virtuosidade em reconhecer-se integrante dessa longa construção coletiva e, não sem uma ponta de orgulho, assumir alguma responsabilidade pelo que virá, no porvir. Talvez por isso a espada erguida no Ipiranga ainda diga alguma coisa ao brasileiro de hoje. Nossa geração precisa pertencer ao Brasil, acreditar em um horizonte de futuros possíveis, relativizar as diferenças e as animosidades, e ajudar o país a encontrar o destino grandioso que lhe deve ser inerente. É preciso, para avocar a criatividade de Fito Páez, “abrir o peito e sacar a alma”.