Di María tem números discretos no mata-mata, mas cresce quando chega à final
Argentino acumula momentos históricos em decisões e chama atenção pelo contraste entre o desempenho durante as competições e a eficiência quando uma taça está em jogo.
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Ángel Di María tem uma relação diferente com jogos decisivos. Ao longo da carreira, o argentino conquistou praticamente tudo que poderia por clubes e seleção, mas existe um detalhe que chama atenção quando se olha para a trajetória do jogador: muitas vezes, ele passa por uma competição sem números tão impressionantes e resolve aparecer justamente quando chega a final.
Em Copas do Mundo, por exemplo, Di María disputou 18 partidas e marcou três gols. Dois deles aconteceram antes de uma decisão: contra a Suíça, nas oitavas de final de 2014, e contra a França, também nas oitavas, em 2018. O terceiro veio justamente no maior jogo possível, a final da Copa do Mundo de 2022.
E o Mundial do Catar talvez seja o melhor exemplo dessa característica. Di María chegou à decisão sem ter marcado naquela edição. Além disso, sofreu com problemas físicos e praticamente não participou do mata-mata antes da final. Quando Lionel Scaloni decidiu colocá-lo novamente entre os titulares contra a França, o argentino respondeu.
Di María começou a partida aberto pelo lado esquerdo e virou um dos principais problemas para a defesa francesa. Foi dele a jogada que terminou no pênalti convertido por Lionel Messi. Pouco depois, apareceu dentro da área para concluir o contra-ataque argentino e marcar o segundo gol. Em poucos minutos, um jogador que vinha tendo participação limitada nas fases anteriores se tornou um dos protagonistas da final.
Mas não foi a primeira vez.
Em 2008, Di María marcou contra a Nigéria o único gol da final dos Jogos Olímpicos de Pequim e garantiu o ouro para a Argentina. Treze anos depois, em 2021, aconteceu novamente. Na final da Copa América contra o Brasil, em pleno Maracanã, recebeu o lançamento de Rodrigo De Paul e encobriu Ederson para marcar o gol que encerrou um jejum de 28 anos da seleção argentina sem conquistar um grande título.
No ano seguinte, outra decisão e outro gol. Contra a Itália, na Finalíssima de 2022, Di María marcou o segundo da vitória argentina por 3 a 0 em Wembley. Meses depois, repetiria a história diante da França na final da Copa do Mundo.
Até quando não marcou, conseguiu ser importante. Na final da Copa América de 2024, contra a Colômbia, Di María fez sua última partida pela seleção argentina e encerrou a trajetória levantando mais uma taça.
Por isso, existe uma provocação que combina muito bem com a carreira do argentino: infelizmente ou felizmente, dependendo do lado, Di María parece ser jogador de final.
Não significa que tenha passado a carreira inteira apagado em oitavas, quartas ou semifinais. Existem grandes atuações e momentos decisivos também nessas fases. Mas é difícil encontrar outro jogador de sua geração com uma coleção tão impressionante de participações em jogos valendo título.
O caminho até a decisão nem sempre apresenta um Di María protagonista. Quando chega a final, porém, a história costuma ser diferente.
E foi justamente assim que o argentino construiu uma das marcas mais curiosas de sua carreira: quanto maior o tamanho da decisão, maior parece ser a chance de Ángel Di María aparecer.