Política

Em pico de tensão bilateral, Brasil pede que Argentina retire seu embaixador

A tensão entre os dois países aumenta após repetidos ataques de Milei contra Lula, a quem o argentino se referiu como "ladrão" e "corrupto"

Por Redação da JP News

Publicado em 05/08/2026 às 08:12

Compartilhe:
Capa da notícia
AFP

Ouvir Notícia

O governo argentino informou que o Brasil solicitou nesta terça-feira (4) o retorno do embaixador argentino a Buenos Aires, em meio à crise diplomática provocada por declarações do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva.

O Executivo brasileiro também comunicou sua decisão de reduzir “o nível de representação diplomática bilateral ao de Encarregados de Negócios”, publicou a Chancelaria argentina no X.

A tensão entre os dois países aumenta após repetidos ataques de Milei contra Lula, a quem o argentino se referiu como “ladrão” e “corrupto”.

Segundo o comunicado divulgado pela Chancelaria argentina, o embaixador Guillermo Raimondi foi convocado na tarde de terça-feira pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, que lhe comunicou a decisão do governo de reduzir o nível de representação diplomática bilateral e de solicitar o seu retorno para a Argentina.

O governo argentino “toma nota da decisão adotada unilateralmente” pelo Brasil e “lamenta sua decisão de continuar se isolando do restante da região por razões puramente ideológicas”.

A Chancelaria argentina mencionou ainda diversos “episódios de declarações e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países” no passado e ressaltou que sempre optou por não transformar essas trocas “em um incidente diplomático”.

“Nunca respondemos a uma divergência política com uma medida institucional”, indicou.

Duas visões opostas

O conflito diplomático começou quando Milei participou, há dez dias, em São Paulo, da oficialização da candidatura presidencial do opositor direitista de Lula nas eleições de outubro, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliado regional do argentino.

Naquela ocasião, ele acusou, sem apresentar provas, o governo do Brasil de “interferência política” contra Buenos Aires e insultou, sem mencioná-los diretamente, Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Depois disso, o Brasil chamou para consultas seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, pelas “ofensas proferidas” por Milei e convocou o embaixador argentino para pedir explicações pelas “agressões”.

O chanceler Pablo Quirno tentou reduzir a tensão, enfatizando que, do ponto de vista argentino, “não existe absolutamente nenhuma possibilidade” de ruptura das relações diplomáticas.

No entanto, nos últimos dias, Milei intensificou suas críticas a Lula em diferentes entrevistas.

Tags: Notícias Política
JP

Jornalismo / Esporte

Rede