MP Eleitoral manda PF investigar Rico Melquíades por suspeita de coação
Vídeo mostra empregador questionando preferências políticas de trabalhadoras
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O Ministério Público Eleitoral em Alagoas requisitou a abertura de inquérito policial para investigar o influenciador digital Rico Melquíades por suspeita de coação eleitoral contra funcionárias. O procedimento foi instaurado após a publicação de um vídeo nas redes sociais no sábado, 12. Segundo o Ministério Público Federal, o perfil responsável pela postagem reunia mais de 12,4 milhões de seguidores no momento da publicação.
Nas imagens, quatro mulheres aparecem ao lado do influenciador. Durante a gravação, ele pergunta quem paga o salário delas e passa a questioná-las sobre preferências político-partidárias. Em determinado momento, ao associar uma das trabalhadoras a um partido, afirma repetidamente que ela estaria demitida, manda que pegue suas coisas e volta a mencionar que é ele quem paga o salário das funcionárias.
Para o Ministério Público Eleitoral, o episódio pode configurar coação eleitoral e será encaminhado à Polícia Federal para investigação criminal.
Em uma das gravações que ganharam repercussão, Rico aparece dando ordens às trabalhadoras e chega a ameaçar demissão caso elas ouvissem músicas da cantora Anitta dentro da residência. A nota oficial do Ministério Público Eleitoral, no entanto, não identifica nominalmente o influenciador alvo da investigação. Por isso, sem confirmação oficial, não é possível afirmar que Rico Melquiades seja a pessoa citada no procedimento.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, afirmou que a posição de empregador, o poder econômico e a dependência existente na relação de trabalho não podem ser usados para interferir nas escolhas políticas de trabalhadores. Segundo ele, emprego e salário não podem servir como instrumentos para impor, direcionar ou tentar influenciar o voto.
O procurador também afirmou que uma eventual alegação de brincadeira não elimina a gravidade do episódio, especialmente quando existe uma relação de poder entre quem paga o salário e quem depende daquele emprego. Além do encaminhamento à Polícia Federal, o Ministério Público Eleitoral informou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral para impedir a continuidade ou repetição desse tipo de conduta.
O órgão reforçou ainda que o voto é livre e secreto e que trabalhadores não são obrigados a revelar aos empregadores em quem pretendem votar. Quando esse tipo de pressão ocorre no ambiente de trabalho, o caso também pode envolver a atuação do Ministério Público do Trabalho, especialmente em situações de possível assédio eleitoral.