Política

A dança das cadeiras entre famílias políticas de Alagoas

Sucessores de Flávia Cavalcante, Carla Dantas, Doutor Wanderley e Arthur Lira tentarão conservar suas bases políticas

Por Carlos Victor Costa
31/08/2026 às 19:11 32 views
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Na eleição de 2026, algumas cadeiras podem até mudar de dono, mas correm o risco de continuar nas mãos dos mesmos grupos políticos. Em Alagoas, as articulações em andamento mostram que a renovação dos nomes nem sempre significa uma mudança real no comando das estruturas eleitorais.

Na Assembleia Legislativa, uma das substituições previstas envolve a deputada Flávia Cavalcante, que não disputará a reeleição. O espaço deverá ser ocupado na corrida eleitoral pelo pai, Cícero Cavalcante, ex-deputado estadual que pretende retornar à Casa de Tavares Bastos.

Nesse caso, a candidatura muda de geração, mas permanece dentro da mesma família e apoiada por uma estrutura política já conhecida. Cícero Cavalcante não chegará à disputa como um estreante. Além da experiência parlamentar, contará com a base construída pelo grupo ao longo dos últimos anos.

Outra mudança acontecerá com a saída de Carla Dantas da disputa pela reeleição. O nome escolhido para tentar preservar sua base eleitoral é o de Paulinho Mendonça. A candidatura, definida a partir de uma escolha do governador Paulo Dantas, mantém o espaço dentro do mesmo grupo político.

Ainda que Paulinho Mendonça não tenha vínculo familiar direto com Carla Dantas, sua entrada representa uma sucessão organizada internamente. O objetivo é impedir que os votos, as lideranças municipais e os apoios ligados à deputada se dispersem durante a eleição.

Situação semelhante ocorre com Doutor Wanderley. O deputado deixará a disputa pela Assembleia para concorrer ao Senado. Enquanto ele tenta dar um passo maior na política estadual, o filho, Hugo Wanderley, aparece como o nome preparado para herdar seu espaço eleitoral.

Hugo não é propriamente um desconhecido na política alagoana. Já foi prefeito de Cacimbinhas e presidiu a Associação dos Municípios Alagoanos, a AMA. Sua candidatura reúne, portanto, o peso do sobrenome do pai e uma trajetória própria na política municipalista.

Na Câmara dos Deputados, a sucessão mais comentada envolve Arthur Lira. Com o parlamentar entrando na corrida pelo Senado, seu filho, Alvinho Lira, de apenas 20 anos, deverá disputar uma cadeira de deputado federal.

Apesar da pouca idade, Alvinho é cotado para figurar entre os candidatos mais votados. A expectativa se explica pela estrutura política construída por Arthur Lira, pelas alianças mantidas em diversos municípios e pela força eleitoral acumulada pela família ao longo dos últimos anos.

Nada disso, entretanto, transforma essas sucessões em operações automáticas. Mandatos não são transferidos por escritura, embora parte da política ainda se comporte como se cartório eleitoral existisse. Cícero Cavalcante, Paulinho Mendonça, Hugo Wanderley e Alvinho Lira precisarão conquistar votos e enfrentar adversários nas urnas.

A diferença é que eles não partirão do mesmo ponto que candidatos verdadeiramente novos. Entrarão na eleição carregando estruturas partidárias, bases municipais, alianças com prefeitos e vereadores, além de sobrenomes ou padrinhos políticos amplamente conhecidos.

As articulações revelam uma característica antiga da política alagoana: os candidatos mudam, mas o poder frequentemente continua circulando dentro dos mesmos grupos — e, em alguns casos, das mesmas famílias.

A eleição de 2026 mostrará se essas estruturas continuam suficientemente fortes para transferir votos aos sucessores. No fim das contas, caberá ao eleitor decidir entre a continuidade dos grupos tradicionais e a abertura de espaço para novos nomes.

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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