A estratégia que colocou Luciano Barbosa no centro da eleição
Lucas Barbosa, Célia Rocha, Yale Fernandes e Daniel Barbosa ajudam a revelar o alcance da articulação política do prefeito
Assessoria
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Em toda a movimentação de pré-campanha em Alagoas, enquanto boa parte dos principais atores políticos trabalha para garantir espaço nas chapas, um personagem conseguiu ampliar sua influência sem precisar entrar diretamente na disputa pelo Governo: Luciano Barbosa, prefeito de Arapiraca.
O movimento chama atenção porque Luciano construiu pontes com os dois principais grupos que se organizam para a eleição estadual e, ao mesmo tempo, preservou sua relação política com Arthur Lira, outro personagem de peso no tabuleiro eleitoral alagoano.
O resultado é uma posição particularmente confortável. Independentemente de qual grupo conquiste o Palácio República dos Palmares, Luciano tende a permanecer próximo do centro das decisões políticas do estado.
No campo liderado por JHC, o prefeito de Arapiraca terá dois nomes diretamente ligados ao seu grupo político. Um deles é o próprio filho, Lucas Barbosa. O outro é Célia Rocha, antiga parceira política de Luciano e escolhida para ocupar a vaga de candidata a vice-governadora.
A presença de Célia tem peso especial. Ex-prefeita de Arapiraca e personagem histórica da política do Agreste, ela mantém uma relação política de longa data com Luciano. Sua entrada na chapa cria mais uma ponte entre o grupo do prefeito arapiraquense e o projeto eleitoral de JHC.
Mas Luciano não colocou todas as fichas de um lado.
No grupo de Renan Filho, outra pessoa de sua confiança ocupa posição estratégica: Yale Fernandes, primo do prefeito e um dos nomes mais próximos de seu núcleo político.
A aproximação não termina aí. Luciano Barbosa também já antecipou seu apoio à reeleição do senador Renan Calheiros, reforçando a relação com o grupo dos Calheiros justamente no momento em que as alianças para a eleição começam a ganhar contornos mais definidos.
E há ainda uma terceira frente importante nessa equação: Arthur Lira.
Luciano mantém uma relação de confiança com o ex-presidente da Câmara dos Deputados e deverá apoiá-lo na disputa pelo Senado. Ao mesmo tempo, outro filho do prefeito, Daniel Barbosa, buscará a reeleição para deputado federal.
É justamente essa capacidade de transitar entre diferentes núcleos de poder que coloca Luciano Barbosa em uma situação singular nesta pré-campanha.
De um lado, há aliados ligados ao projeto de JHC. Do outro, pessoas de sua confiança permanecem próximas de Renan Filho e dos Calheiros. Paralelamente, Luciano preserva sua relação com Arthur Lira e trabalha pela continuidade do mandato de Daniel Barbosa na Câmara.
Não significa que esses grupos tenham se tornado aliados entre si. Pelo contrário. O que existe é uma rede política construída por Luciano que ultrapassa as fronteiras das principais chapas.
É uma estratégia que reduz riscos.
Se um grupo vencer, Luciano terá interlocutores. Se o outro chegar ao governo, também terá pontes. E, qualquer que seja o resultado da disputa estadual, ainda mantém canais importantes no Senado e na Câmara dos Deputados.
Além disso, existe um ativo que não pode ser ignorado: Arapiraca. Segundo maior colégio eleitoral de Alagoas e principal centro político e econômico do Agreste, o município naturalmente transforma seu prefeito em um interlocutor cobiçado numa eleição estadual.
Luciano parece ter aproveitado esse peso para fazer algo tradicional na política: diversificar alianças sem necessariamente romper relações.
Enquanto outros personagens precisam apostar praticamente todas as fichas em uma única chapa, o prefeito de Arapiraca espalhou aliados pelos principais campos, protegeu os interesses de seu grupo e ampliou as possibilidades de permanecer influente depois das urnas.
Por isso, olhando exclusivamente para a montagem do tabuleiro até aqui, Luciano Barbosa aparece como um dos políticos que mais conseguiram ampliar espaço durante a pré-campanha.
Ele não precisou disputar o protagonismo de candidato a governador, vice ou senador para entrar no centro do jogo.
Enquanto muita gente brigou para aparecer em uma fotografia, Luciano tratou de construir condições para estar representado em várias delas.
Na política, nem sempre quem ocupa a cabeça da chapa é quem consegue acumular mais poder. Às vezes, a posição mais confortável pertence justamente a quem construiu pontes suficientes para continuar influente independentemente do resultado.
Carlos Victor Costa
Jornalista
É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...
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