Política

Após ação da PF, caso Iprev Maceió chega de vez ao campo político

A investigação federal avança, mas Câmara e Assembleia também terão de mostrar até onde estão dispostas a apurar o caso

Por Carlos Victor Costa
10/08/2026 às 14:26 49 views
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A presença da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União na sede do Iprev Maceió, nesta segunda-feira, deu uma nova dimensão ao caso das aplicações dos recursos previdenciários dos servidores municipais no Banco Master.

A ação faz parte da Operação Compliance Zero e investiga aproximadamente R$ 97 milhões aplicados em letras financeiras da instituição comandada por Daniel Vorcaro.

A investigação federal deverá esclarecer as circunstâncias dessas operações e verificar se houve alguma irregularidade. Mas o caso deixou de ser apenas financeiro e policial. Agora, também se transformou em um teste político para a Assembleia Legislativa de Alagoas e para a Câmara Municipal de Maceió.

Na Assembleia, uma articulação busca instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a aplicação de R$ 117,9 milhões do Iprev no Banco Master, instituição que entrou em liquidação.

O requerimento já superou o número mínimo de assinaturas necessário. Portanto, a discussão não é mais se existem deputados suficientes para apoiar a CPI. A pergunta agora é quando ela será efetivamente instalada e, principalmente, até onde os parlamentares estarão dispostos a investigar.

Conseguir assinaturas é apenas a primeira etapa. Uma CPI só demonstra sua força quando começa a funcionar, convoca os responsáveis, requisita documentos, analisa pareceres e identifica quem participou de cada decisão.

Na Câmara de Maceió, o vereador Tácio Melo apresentou um requerimento para criar uma Comissão Especial de Inquérito. A CEI pretende apurar as aplicações realizadas em 2023 e 2024, os critérios técnicos utilizados, as decisões tomadas pelo Comitê de Investimentos e os riscos impostos ao patrimônio previdenciário dos servidores municipais.

Para que a comissão saia do papel, Tácio precisa reunir oito assinaturas.

E é justamente aí que começa o teste para os vereadores. Quem costuma defender transparência, fiscalização e proteção do dinheiro público terá a oportunidade de demonstrar isso no papel. Porque discurso sem assinatura é apenas fumaça política.

A Jovem Pan News Maceió tentou contato com Ronnie Mota, ex-presidente do Iprev que esteve à frente do instituto no período das aplicações, mas não obteve retorno.

À revista Veja, o Iprev afirmou que as operações foram regulares e que, na época dos investimentos, o Banco Master estava habilitado pelos órgãos competentes.

Em respeito ao contraditório, a Jovem Pan News Maceió também procurou o ex-prefeito JHC. Ele não atendeu nem retornou a ligação.

É importante deixar claro que a presença da Polícia Federal e da CGU não representa uma condenação antecipada de qualquer pessoa. Investigação não é sentença. Mas uma operação dessa dimensão exige respostas objetivas.

Quem decidiu pelas aplicações? Quais pareceres técnicos sustentaram as operações? Os riscos foram devidamente apresentados e avaliados? Quem acompanhou os investimentos? E quais providências foram adotadas diante da situação financeira do Banco Master?

Neste momento, o caso avança em três frentes: a investigação federal, a possível instalação da CPI na Assembleia Legislativa e a tentativa de criação da CEI na Câmara de Maceió.

A partir de agora, cada assinatura terá peso político. E cada ausência também.

A pergunta é simples: quem vai assinar a favor da apuração e quem vai trabalhar para que ela não avance?

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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