Política

As perguntas que cercam a trajetória de Mário Candia, pai de Marina JHC em Alagoas

Fontes da transição de JHC relatam mudança patrimonial que desperta dúvidas sobre a atuação do empresário

Por Carlos Victor Costa
04/08/2026 às 18:36 195 views
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Quando se fala na cuiabana Marina Candia, inevitavelmente o assunto acaba chegando ao ex-prefeito João Henrique Caldas (JHC). Mas existe um personagem que merece tanta atenção quanto ela: seu pai, o empresário Mário Roberto Candia Figueiredo.

Em Mato Grosso, Mário construiu uma trajetória empresarial de sucesso à frente da Agrimat Engenharia, uma das maiores empreiteiras do estado. Ao mesmo tempo, seu nome também apareceu em investigações e ações judiciais envolvendo suspeitas de irregularidades em contratos públicos e lavagem de dinheiro. É importante registrar que a existência desses processos não representa condenação definitiva, e parte deles ainda tramita na Justiça.

O que desperta curiosidade, no entanto, não é apenas seu passado empresarial, mas o que aconteceu depois.

Três pessoas que participaram da equipe de transição do governo JHC relataram à coluna que Mário Candia chegou a Alagoas após vender suas empresas em Mato Grosso e já não ostentava a mesma capacidade financeira dos tempos da Agrimat.

Cinco anos depois, segundo essas mesmas fontes, o cenário é outro. Candia teria recuperado musculatura financeira e voltou a ocupar posição de destaque no meio empresarial.

A pergunta, portanto, não é uma acusação. É um questionamento legítimo.

O que explica essa mudança? Quais empreendimentos desenvolveu em Alagoas? Quais investimentos realizou? Quais empresas controla hoje? Em quais setores atua? Essas respostas interessam apenas à família Candia? Evidentemente que não.

O tema ganha relevância porque Mário Candia não é um empresário qualquer vivendo uma vida privada distante do poder. Ele é sogro do ex-prefeito da capital alagoana, e possível candidato ao Governo de Alagoas.

O debate ficou ainda mais intenso quando reportagens apontaram ligações entre Candia, a empresa MTSul e contratos relacionados às obras da Braskem em Maceió. Tanto a Prefeitura quanto a Braskem negaram qualquer interferência de JHC nas contratações. O registro precisa ser feito.

Mas a negativa institucional não elimina o interesse público sobre a trajetória empresarial de quem está no entorno do poder.

Em democracias maduras, agentes públicos e seus familiares próximos precisam compreender que a transparência é consequência natural da posição que ocupam. Não basta agir corretamente; é preciso demonstrar que tudo ocorreu dentro da legalidade.

Não afirmo que exista qualquer ilegalidade envolvendo Mário Candia. Seria irresponsável fazê-lo sem provas. O que afirmo é que existem perguntas objetivas que merecem respostas igualmente objetivas.

Se um empresário chega a um estado, segundo relatos de fontes que participaram da transição de governo, sem o mesmo patrimônio de anos anteriores e, pouco tempo depois, volta a prosperar, é natural que a sociedade queira entender como isso aconteceu.

Quem administra recursos públicos não pode tratar questionamentos dessa natureza como ataques políticos. Transparência não é favor. É dever.

E quem não deve, normalmente, não teme explicar.

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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