Política

As perguntas que cercam a trajetória de Mário Candia, pai de Marina JHC em Alagoas

Fontes da transição de JHC relatam mudança patrimonial que desperta dúvidas sobre a atuação do empresário

Por Carlos Victor Costa
04/08/2026 às 18:36 742 views
Capa do artigo

Ouvir Artigo

Quando se fala na cuiabana Marina Candia, inevitavelmente o assunto acaba chegando ao ex-prefeito João Henrique Caldas (JHC). Mas existe um personagem que merece tanta atenção quanto ela: seu pai, o empresário Mário Roberto Candia Figueiredo.

Em Mato Grosso, Mário construiu uma trajetória empresarial de sucesso à frente da Agrimat Engenharia, uma das maiores empreiteiras do estado. Ao mesmo tempo, seu nome também apareceu em investigações e ações judiciais envolvendo suspeitas de irregularidades em contratos públicos e lavagem de dinheiro. É importante registrar que a existência desses processos não representa condenação definitiva, e parte deles ainda tramita na Justiça.

O que desperta curiosidade, no entanto, não é apenas seu passado empresarial, mas o que aconteceu depois.

Três pessoas que participaram da equipe de transição do governo JHC relataram à coluna que Mário Candia chegou a Alagoas após vender suas empresas em Mato Grosso e já não ostentava a mesma capacidade financeira dos tempos da Agrimat.

Cinco anos depois, segundo essas mesmas fontes, o cenário é outro. Candia teria recuperado musculatura financeira e voltou a ocupar posição de destaque no meio empresarial.

A pergunta, portanto, não é uma acusação. É um questionamento legítimo.

O que explica essa mudança? Quais empreendimentos desenvolveu em Alagoas? Quais investimentos realizou? Quais empresas controla hoje? Em quais setores atua? Essas respostas interessam apenas à família Candia? Evidentemente que não.

O tema ganha relevância porque Mário Candia não é um empresário qualquer vivendo uma vida privada distante do poder. Ele é sogro do ex-prefeito da capital alagoana, e possível candidato ao Governo de Alagoas.

O debate ficou ainda mais intenso quando reportagens apontaram ligações entre Candia, a empresa MTSul e contratos relacionados às obras da Braskem em Maceió. Tanto a Prefeitura quanto a Braskem negaram qualquer interferência de JHC nas contratações. O registro precisa ser feito.

Mas a negativa institucional não elimina o interesse público sobre a trajetória empresarial de quem está no entorno do poder.

Em democracias maduras, agentes públicos e seus familiares próximos precisam compreender que a transparência é consequência natural da posição que ocupam. Não basta agir corretamente; é preciso demonstrar que tudo ocorreu dentro da legalidade.

Não afirmo que exista qualquer ilegalidade envolvendo Mário Candia. Seria irresponsável fazê-lo sem provas. O que afirmo é que existem perguntas objetivas que merecem respostas igualmente objetivas.

Se um empresário chega a um estado, segundo relatos de fontes que participaram da transição de governo, sem o mesmo patrimônio de anos anteriores e, pouco tempo depois, volta a prosperar, é natural que a sociedade queira entender como isso aconteceu.

Quem administra recursos públicos não pode tratar questionamentos dessa natureza como ataques políticos. Transparência não é favor. É dever.

E quem não deve, normalmente, não teme explicar.

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

Ver todos os artigos
JP

Bate Pronto Alagoas 2ª Edição

Equipe Esquadrão