A chapa liderada por JHC está praticamente desenhada. O problema é que há gente demais querendo sentar e cadeira de menos. E, na política, jogo de cadeiras não termina com música: termina com rompimento, candidatura adversária e aliado reclamando pelos corredores.
O desenho colocado atualmente tem JHC como candidato ao Governo e Marina Cândia disputando uma das duas vagas para o Senado. Ronaldo Lessa e Célia Rocha completariam a composição: um seria candidato a vice-governador e o outro concorreria à segunda cadeira de senador.
No papel, a chapa fecha. Politicamente, porém, ainda falta responder à pergunta que pode mudar todo o arranjo: onde entra Arthur Lira?
O ex-presidente da Câmara já foi anunciado por Flávio Bolsonaro como um dos candidatos apoiados por ele ao Senado em Alagoas. Na lista apresentada pelo presidenciável, os dois nomes escolhidos para o estado foram justamente a da cuiabana Marina Candia, esposa de JHC, e Arthur Lira. A manifestação pública de Flávio, portanto, desenhou uma chapa diferente daquela inicialmente idealizada pelo grupo de JHC.
Nesta terça-feira, Flávio promoveu, em Brasília, uma reunião nacional com candidatos ao Senado. A expectativa era pela presença tanto de Marina quanto de Arthur, mas nenhum dos dois compareceu. A ausência ocorre justamente quando a composição alagoana atravessa suas horas mais delicadas.
Arthur, por sua vez, já indicou que não pretende esperar indefinidamente por uma decisão. Em entrevista recente à Jovem Pan News Maceió, ele afirmou que, se a coligação com JHC não for concretizada, o bloco poderá apresentar uma candidatura própria.
“Se isso não acontecer, nós provavelmente vamos ter um candidato próprio da federação, desse bloco partidário”, declarou, ao mencionar o agrupamento formado por PP, União Brasil e PL.
A declaração não deixa muito espaço para poesia. Ou Arthur é acomodado na chapa de JHC, ou esse conjunto partidário poderá construir outro caminho eleitoral.
Nos bastidores, uma das avaliações é que PP e PL podem ficar oficialmente fora da coligação encabeçada por JHC. Nesse cenário alternativo, Henrique Costa poderia ser deslocado para disputar o Governo, enquanto o vereador Leonardo Dias apareceria como uma opção para o Senado.
Ainda que essa composição funcione como instrumento de pressão, ela não pode ser ignorada. PP, União Brasil e PL possuem estrutura partidária, tempo de campanha e nomes capazes de provocar prejuízo eleitoral. Uma candidatura própria desse bloco poderia dividir justamente o eleitorado que JHC pretende reunir em torno de seu projeto.
O impasse também atinge Ronaldo Lessa e Célia Rocha. Se Arthur ocupar a segunda vaga ao Senado, um dos dois poderá ser mantido na vice, mas o outro ficará sem espaço na chapa majoritária. Alguém, inevitavelmente, terá de ceder, voluntariamente ou após ser convidado a compreender as “necessidades do projeto”, aquela expressão elegante usada pela política quando chega a hora de retirar uma cadeira.
JHC está diante de uma escolha que ultrapassa a definição de nomes. Manter a composição inicialmente planejada preserva os compromissos construídos com seus aliados mais próximos, mas pode afastar Arthur Lira e abrir uma candidatura concorrente. Aceitar Arthur, por outro lado, fortalece a aliança partidária e aproxima a chapa do projeto nacional de Flávio Bolsonaro, mas exige o sacrifício de alguém que já se considerava acomodado.
A chapa está quase pronta. Falta apenas a parte mais difícil: decidir quem entra, quem sai e quem aceitará sorrir na fotografia mesmo depois de perder a cadeira.