Política

JHC erra a mão ou assume o risco das multas eleitorais?

Sequência de condenações pode ser parte do preço calculado para antecipar a disputa e conquistar vantagem política

Por Carlos Victor Costa
14/08/2026 às 18:50 42 views
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Assessoria

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JHC já soma mais de R$ 100 mil em multas eleitorais?

A campanha eleitoral ainda não começou oficialmente, mas a disputa pelo Governo de Alagoas já acontece nas ruas, nas redes sociais e, principalmente, na Justiça Eleitoral.

Nesse cenário, um número chama atenção: somados os valores estabelecidos nas sentenças envolvendo JHC, as multas já ultrapassam a marca de R$ 100 mil.

É preciso, entretanto, fazer uma ressalva importante. Esse montante corresponde aos valores fixados nas sentenças, não significando necessariamente que JHC já tenha desembolsado mais de R$ 100 mil ou que exista uma dívida definitiva nesse valor. Processos eleitorais podem passar por recursos e revisões nas instâncias superiores.

Até o momento, porém, JHC não conseguiu reverter as decisões no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas. Portanto, embora o placar jurídico ainda possa mudar, as condenações continuam produzindo efeitos políticos no presente.

A comparação com Renan Filho, apontado como principal adversário de JHC na disputa estadual, torna o quadro ainda mais expressivo. Enquanto as multas estabelecidas contra JHC já superam os R$ 100 mil, Renan Filho registra, até aqui, uma condenação no valor de R$ 5 mil.

São dois números politicamente relevantes: mais de R$ 100 mil de um lado e R$ 5 mil do outro.

Isso significa que a eleição está decidida? Evidentemente, não. Eleição não se ganha contando processos ou somando multas. Mas a diferença ajuda a revelar como as estratégias adotadas pelos dois grupos políticos também produzem consequências distintas diante da legislação eleitoral.

JHC aposta em uma comunicação mais intensa, agressiva e antecipada, especialmente nas redes sociais. A estratégia permite ocupar espaço, mobilizar apoiadores e tentar impor o ritmo da disputa antes do período oficial de campanha. Ao mesmo tempo, aumenta a exposição do pré-candidato às ações dos adversários e às decisões da Justiça Eleitoral.

O custo dessa estratégia talvez seja mais importante politicamente do que financeiramente.

Para uma estrutura de campanha estadual, uma multa isolada pode representar pouco. Uma sequência de condenações, contudo, oferece munição para que os adversários construam a narrativa de que determinado candidato ultrapassa reiteradamente os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

Em política, a repetição costuma pesar mais do que um episódio isolado. Quando decisões semelhantes se acumulam, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a atingir a imagem do candidato.

Por outro lado, também existe uma leitura pragmática. JHC pode estar assumindo conscientemente o risco jurídico para chegar ao período oficial da campanha com maior presença pública, vantagem de comunicação e uma base eleitoral mais mobilizada.

Nesse cálculo, as multas seriam tratadas não apenas como prejuízo, mas como parte do custo da estratégia. É uma aposta arriscada: ganhar terreno político agora e tentar reverter as derrotas jurídicas depois.

A pergunta central, portanto, não é apenas quanto JHC acumula em multas. A questão é saber se o pré-candidato está errando a mão na largada ou se decidiu avançar até o limite da legislação para começar a campanha alguns passos à frente dos adversários.

Porque, em política, multa às vezes é prejuízo. Em outras ocasiões, entra friamente na planilha como custo para ocupar o palco antes que a cortina seja oficialmente aberta.

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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