O que pensam Renan Filho e JHC sobre saúde
JHC propõe regionalizar a atenção especializada e acabar com a "carteirada" na fila do SUS estadual; Renan Filho aposta na ampliação da rede hospitalar e promete o Hospital do Câncer de Alagoas.
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O que documenta o plano de JHC
O Alagoas Gigante nomeia o fenômeno com precisão incomum para um plano de governo estadual: 93 dos 102 municípios não têm leito de UTI do SUS, 8 das 10 regiões de saúde carecem de leito obstétrico de alto risco e apenas 11 municípios atingem a meta de 95% de cobertura vacinal nas nove vacinas do calendário infantil, conforme o próprio documento, com base em dados do Ministério da Saúde para 2024.
A resposta proposta se chama Saúde da Gente Alagoana, que promete polos regionais de especialidades, mutirões de exames e uma "fila única e transparente" para acabar com a prática que o texto chama de "carteirada".
Some-se a isso o Imuniza Alagoas, para recuperação vacinal, e o Alagoas de Mãe para Mãe, para rede materno-infantil regionalizada.
JHC foi apoiador de Jair Bolsonaro, do PL, condenado por tentativa de golpe de Estado no caso do 8 de janeiro. Bolsonaro, enquanto presidente do Brasil, entre 2019 e 2022, inclusive no auge da pandemia de Covid-19, atuou fortemente contra programas de vacinações, chegando a brincar que qualquer um quer tomasse poderia virar “jacaré”.
Vale notar que essa proposta de fila auditável nasce do próprio comportamento do candidato à frente da prefeitura de Maceió, onde a crise de regulação levantou diversos debates que seguem até hoje.
Em fevereiro de 2025, a Câmara de Maceió promoveu audiência pública sobre a crise na regulação, com relatos de pacientes esperando transferência por longos períodos.
Em abril de 2026, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União cobraram formalmente da prefeitura um plano de ação para o problema, segundo reportagem do Tribuna do Agreste de 27 de agosto de 2026.
Prometer fila transparente em outro nível de governo, com a fila municipal sob judicialização, é duvidoso, além de agressivo com o bom senso do eleitor.
O que documenta o plano de Renan Filho
De antemão, o documento de Renan Filho não tem diagnóstico e conta com uma estrutura muito mais simples, prática e até resumida demais. Não há taxa de mortalidade infantil, número de leitos de UTI ou percentual de cobertura vacinal citado em nenhuma das 53 propostas listadas.
A primeira delas promete "ampliar a rede hospitalar do Estado, com foco em serviços para cuidados da mulher, tratamento oncológico, ortopédico, traumas, hemodiálise e urgências".
A segunda cria "uma frota de ambulâncias, específica para a Central de Regulação de Leitos do Estado, para agilizar a transferência de pacientes das UPAs para os hospitais". Nenhuma das duas vem acompanhada de meta, prazo ou fonte de financiamento.
Contudo, o histórico de governo preenche parte dessa lacuna que o papel deixou em branco: durante os dois mandatos de Renan Filho como governador, entre 2015 e 2022, a rede hospitalar estadual passou de seis para 14 unidades, com a entrega dos hospitais Regionais da Mata, do Norte e do Alto Sertão, segundo dados do próprio governo.
O Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira, com 118 leitos, centro de parto normal e estrutura neonatal, foi inaugurado em setembro de 2019, ainda sob Renan Filho, dois anos antes de JHC assumir a prefeitura.
Em quatro anos de funcionamento, a unidade já havia registrado mais de 11 mil partos. Ou seja, Renan parece confiar em sua entrega por dois mandatos como governador do Estado também em seu plano de governo.
O contraste que a campanha evita
Aqui aparece o mais curioso desse embate: JHC classifica a saúde estadual atual, sob o governo de Paulo Dantas (aliado de Renan Filho), como estado de "agonia" e "caos". Só que 2024, ano de referência dessa crítica, também foi o ano de R$ 3,3 bilhões em investimentos em saúde e assistência social pelo governo estadual, além de novos repasses federais, transplantes pelo SUS estadual e ambulâncias entregues ao Samu, conforme reportagem já citada.
O período que JHC chama de colapso é, ao mesmo tempo, um dos de maior expansão da rede hospitalar estadual desde a redemocratização.
Do outro lado, o feito mais visível de JHC na saúde municipal também carrega problema de proporção. A prefeitura comprou o antigo Hospital do Coração por R$ 266 milhões em 2023, batizado Hospital da Cidade, o equivalente a quase nove Hospitais da Mulher pelo padrão de custo estadual, ou cerca de três Hospitais Metropolitanos.
O custo por leito do Hospital da Cidade chega a aproximadamente R$ 1,66 milhão, contra cerca de R$ 242 mil por leito no Hospital da Mulher, uma diferença de quase sete vezes. O Ministério Público pediu autorização para investigar a aquisição; o Tribunal de Contas arquivou denúncia de vereadores por falta de elementos que comprovassem sobrepreço, mas determinou auditoria da documentação e dos procedimentos de compra.
Ainda retornaremos com mais análises de outras áreas, como Segurança, Educação e outras.
João Mendonça
Jornalista
Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333
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