Marcos Aragão

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Política

O retorno aos livros clássicos

Por Bruno Montenegro Ribeiro Dantas

Por Marcos Aragão
27/08/2026 às 09:22 20 views
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Com alguma frequência, amigos me procuram em busca de indicações de leitura. Ultimamente, porém, tenho preferido principiar por uma advertência que, embora singela, me parece cada vez mais imperiosa: não devemos ler tudo. A leitura sem critério, a rigor, constitui uma das mais insidiosas formas de desperdício intelectual.

Pierre Nicole já chamava a atenção para o discernimento que se deve guardar diante daquilo que serve de alimento ao nosso espírito e que, mais tarde, haverá de se converter em semente dos nossos pensamentos. A imagem é percuciente. Nem todo alimento nutre. Alguns apenas saciam. Com os livros, dá-se o mesmo. Há lampejos de uma espécie de compulsão culta ou uma intoxicação pelo excesso que prefere o convívio fácil com páginas sucessivas ao esforço, mais árduo, de refletir, escolher e assimilar.

A propósito, em A Mão e a Luva, Machado aduz que o personagem Estêvão jamais compreenderia o axioma de lorde Macaulay — segundo o qual mais aproveita digerir uma lauda que devorar um volume.

Sertillanges formula, neste particular, uma regra de ouro: é preciso “ler inteligentemente, e não apaixonadamente”. A leitura desordenada entorpece o espírito em vez de alimentá-lo. E a reflexão ganha contornos ainda mais atuais num tempo em que a abundância vem se confundindo com a formação.

O que se busca aqui proscrever é aquilo que Samer Agi, a quem me liga a amizade de alguns anos, certeiramente rotulou como livros de aeroporto. É dizer: obras que veiculam equações de êxito não raras vezes ensinadas por quem não demonstrou tê-las realizado, ou lições de vida que o próprio autor não conseguiu cumprir. Não se cuida de desprezar o novo. Antes, pretende-se restabelecer hierarquias.

É preciso retornar aos clássicos. Amar os livros eternos, os quais dizem as verdades eternas. O pouco tempo que nos cabe para ler merece ser destinado ao fundamental, àquilo que atravessa gerações porque ainda tem algo a dizer ao homem. Alfim, o periférico pode esperar. O essencial, não.

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Empresário e articulista. Escreve sobre política, comportamento e cultura com linguagem clara e visão crítica.

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