Pena que nenhum dos candidatos faltou ao debate
Entre ataques e cortes para as redes, faltam propostas
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A impressão é que Lula e Flávio Bolsonaro estavam mais preocupados em produzir cortes para as redes sociais do que em apresentar soluções para os problemas do país. A televisão serviu de cenário para uma disputa por engajamento, na qual uma frase agressiva parece valer mais do que um argumento consistente.
Talvez seja um reflexo da cultura das redes, onde as bolhas de filtro e as câmaras de eco se tornaram o novo habitat de multidões famintas por mais uma porção de ração ideológica. Cada agressão é saboreada por quem já concorda, sem questionar a procedência do alimento, muito menos seu valor nutritivo. O importante não é digerir ideias, mas alimentar convicções.
Flávio demonstrou maior desenvoltura e pareceu mais preparado para o confronto. Lula transmitiu uma imagem de cansaço e desgaste, pressionado pelas controvérsias que cercam seu governo. Mas o desempenho de um e as dificuldades do outro pouco contribuíram para esclarecer o eleitor.
O confronto faz parte da democracia. Mas, quando os ataques ocupam o lugar das ideias e a forma substitui o conteúdo, o debate perde sua razão de existir. Ontem, sobraram provocações e faltaram respostas.
As duas campanhas proclamaram vitória no debate presidencial de ontem. Mas quem realmente perdeu foi o eleitor, que esperava conhecer propostas para o futuro do Brasil.
Talvez tivesse sido melhor se um dos candidatos tivesse faltado. Pelo menos o outro teria mais tempo para apresentar suas propostas. — Contém Ironia e falta esperança.
Marcos Aragão
Empresário
Empresário e articulista. Escreve sobre política, comportamento e cultura com linguagem clara e visão crítica.
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