CBF prevê perda de R$ 420 milhões com fim das bets
Entidade alerta para impacto de 16% no orçamento de 2027 e aponta a Copa do Brasil como a competição mais afetada.
Ouvir Notícia
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima uma perda de R$ 420 milhões em receitas em 2027 em decorrência da proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. A projeção foi apresentada nesta terça-feira (3), durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir os impactos da Medida Provisória 1.394/2026.
Segundo a entidade, o valor representa aproximadamente 16% do orçamento previsto para o próximo ano. A arrecadação inicialmente projetada em R$ 2,7 bilhões poderia cair para R$ 2,28 bilhões, afetando contratos comerciais, patrocínios e direitos de transmissão de diversas competições nacionais.
A Copa do Brasil seria a principal competição atingida, com uma perda estimada de R$ 120 milhões em direitos de nome e contratos comerciais. A Seleção Brasileira também sofreria impactos, com redução projetada de R$ 60 milhões em receitas relacionadas a transmissões e acordos comerciais.
As Séries B e C do Campeonato Brasileiro, além dos campeonatos regionais, também aparecem entre as competições afetadas. A CBF calcula uma redução de R$ 55 milhões em direitos de transmissão e outros R$ 40 milhões em contratos comerciais dessas competições.
Durante a audiência, a confederação destacou que 27 dos 40 clubes das Séries A e B possuem empresas de apostas como patrocinadoras principais. Esses acordos representam aproximadamente R$ 1 bilhão em receitas anuais, o equivalente a 35% dos valores arrecadados pelos clubes com patrocínios.
A entidade argumenta que os recursos provenientes da Seleção Brasileira e da Copa do Brasil ajudam a financiar outras competições, incluindo torneios de base e do futebol feminino. Por isso, defende uma transição gradual para reduzir os impactos financeiros da proibição.
Por outro lado, representantes do governo federal sustentaram que a restrição às apostas é necessária para combater problemas relacionados ao endividamento das famílias e aos impactos dos jogos sobre a saúde pública.
O debate segue no Supremo Tribunal Federal, onde são analisados questionamentos à medida provisória. A audiência pública não representou uma decisão definitiva sobre a constitucionalidade da norma.