Renda do brasileiro cresce 50%, mas dívidas sobem 80% e dinheiro livre cai ao menor nível em 15 anos
Levantamento aponta que apenas 21% da renda permanece disponível após despesas essenciais e dívidas; inadimplência já atinge 81 milhões de brasileiros.
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O brasileiro está ganhando mais, mas encontra cada vez mais dificuldades para fechar as contas no fim do mês. Levantamento da Tendências Consultoria revela que a renda livre das famílias caiu para aproximadamente 21%, o menor percentual desde o início da série histórica, em 2011.
O indicador considera o dinheiro que permanece disponível após o pagamento de despesas essenciais, como alimentação e moradia, além das dívidas. Na prática, de cada R$ 100 recebidos, apenas R$ 21 ficam livres para outros gastos.
O cenário contrasta com a evolução dos salários. Desde a pandemia, a renda dos brasileiros cresceu aproximadamente 50%, enquanto o volume de dívidas avançou cerca de 80%, demonstrando que o endividamento aumentou em ritmo superior aos rendimentos.
RENDA LIVRE CAIU NOS ÚLTIMOS ANOS
Em 2011, o brasileiro chegou a ter mais de 26% da renda disponível depois das despesas essenciais e compromissos financeiros. Em 2019, antes da pandemia, o percentual oscilava entre 23% e 24%. Atualmente, está próximo de 21%.
A redução evidencia a pressão crescente sobre o orçamento doméstico, especialmente em um ambiente de juros elevados, inflação e expansão do crédito.
81 MILHÕES DE BRASILEIROS INADIMPLENTES
Outro indicador preocupante é o avanço da inadimplência. Dados da Serasa mostram que 81 milhões de brasileiros estavam com pelo menos uma conta em atraso em agosto de 2026.
O número representa um crescimento superior a 20 milhões de inadimplentes desde 2021.
O endividamento também alcançou níveis históricos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 82% das famílias brasileiras possuíam dívidas a vencer em julho deste ano.
MAIS EMPREGO, MAS MENOS DINHEIRO DISPONÍVEL
O quadro revela uma contradição na economia brasileira. Embora o mercado de trabalho apresente indicadores positivos e crescimento da renda, uma parcela cada vez maior dos recursos das famílias é destinada ao pagamento de compromissos financeiros.
Para os economistas, os juros elevados, a inflação acumulada e o aumento das dívidas ajudam a explicar por que a melhoria dos indicadores de emprego e salário nem sempre é percebida pela população como aumento efetivo do poder de compra.
O resultado é um consumidor com menor capacidade de consumo, poupança e investimento, situação que também pode afetar o desempenho do comércio e de outros setores da economia.
Fontes: Tendências Consultoria, Serasa, CNC e Veja.