Agressividade para maquiar a insegurança
Marina JHC entrou na disputa pelo Senado, mas ainda parece ensaiar o papel de candidata
Imagem processada para upsacling com ferramentas de IA
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Marina JHC pouco falava em público quando era primeira-dama de Maceió. Isso não significa muito, pois o seu marido, o prefeito, também não se misturava com jornalistas tão facilmente. Preferia sempre usar os seus próprios meios de comunicação: as contas nas redes sociais e o conglomerado de comunicação ligado à sua família (a Rede F).
Contudo, nas eleições, Marina foi convocada para ser, diferente do seu esposo, uma voz ativa e mais disponível ao público.
Claro, meios de imprensa fora da Rede F, controlado pela família Caldas, ainda não são bem-vindos. Mas agora é possível ver a cuiabana Marina Candia em palanques de aliados, principalmente esbravejando — e fica ainda mais curioso analisar o tipo de figura política que está tentando florescer em Alagoas.
Marina, que não é alagoana, defende unicamente a tecla feminina. Parece desejar ser uma senadora das mulheres, e não de Alagoas. E para por aí. E não que precise de mais: mulheres são um dos temas das eleições.
Mas é difícil saber o que Marina pensa além de querer “defendê-las”. Questiona-se: o que pensa Marina sobre o combate ao feminicídio, a violência contra as mulheres, o mercado de trabalho e a escala 6x1, a saúde da mulher etc.?
Mistério.
Para quem observa a política com o propósito de análise, e não de torcida, a candidata parece uma figura que ainda não está madura. Trata-se da primeira tentativa de cargo eletivo dela, e logo na Casa Alta. Vale lembrar que ele, o Senado, é visto como um local para políticos mais experientes, por vezes mais exclusivo e também focado em projetos de médio e longo prazo.
Experiência política, em partes, tem: Marina vem de uma família com história na política. Isso pois, seu avô já foi vice-governador do Mato Grosso. Porém, ela ainda não esbanja um antecedente político que possa justificar sua presença no Congresso.
Em vídeos nas redes sociais, capturados em comícios e aparições públicas, ela clama por mudança com o dedo hasteado, a voz trêmula de tanto forçar e o olhar opaco, sem mirar o público.
Apesar do aparente media training, Marina ainda não consegue esconder sua insegurança no cenário político.
Para dar jeito nesta situação, Marina precisa saber ao que veio. Trocou o sobrenome de nascença pelo JHC, parecendo até algo de posse do seu marido. Estranho. Logo, fala de mudança como ele, porém não diz do que se trata essa tal mudança.
Vale lembrar que a população pode querer mudança, mas teme o que não é bom nem favorável à melhoria de suas vidas.
Sem o olho no olho e a confiança que lhe compete, a candidata parece pedir para aquilo acabar a cada segundo. Marina fala com insegurança porque parece nem acreditar no que defende. E isso é incômodo para quem fala, mas muito mais incômodo para quem escuta.
João Mendonça
Jornalista
Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333
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