Alagoas vira a chave e redesenha seu mapa político
Vitórias de JHC, Arthur Lira e Marina JHC alteram a correlação de forças e impõem ao MDB o desafio de se reorganizar
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Alagoas acordou nesta segunda-feira com um mapa político bastante diferente daquele que conheceu nos últimos anos. Não foi apenas uma troca de governador. O resultado das urnas promoveu uma mudança mais ampla na correlação de forças do estado e colocou JHC, Arthur Lira e Marina JHC no centro dessa nova configuração de poder.
JHC venceu Renan Filho ainda no primeiro turno. O candidato do PSDB terminou a disputa com 52,20% dos votos válidos, contra 47,37% do adversário do MDB. Foram 892.484 votos para JHC e 809.796 para Renan Filho, uma diferença de 82.688 votos.
O resultado ganha uma dimensão ainda maior quando observado em conjunto com a eleição para o Senado.
Arthur Lira, do PP, terminou como o candidato mais votado, com 28,87%. Marina JHC, do PSDB, conquistou a segunda vaga, com 28,20%. Renan Calheiros, que tentava permanecer no Senado, ficou em terceiro, com 22,24%.
Em uma única eleição, portanto, o campo político articulado em torno de JHC e Arthur Lira conquistou o Governo de Alagoas e as duas cadeiras do Senado que estavam em disputa.
É esse conjunto de resultados, muito mais do que uma vitória isolada, que permite falar em mudança na correlação de forças.
JHC deixa de ser uma liderança cuja principal base de poder estava concentrada em Maceió para assumir o comando político e administrativo do estado. A vitória também mostra que o capital eleitoral acumulado durante sua passagem pela Prefeitura de Maceió conseguiu ultrapassar as fronteiras da capital.
Do outro lado está o MDB. O partido deixa o Governo de Alagoas após um ciclo de 12 anos iniciado com Renan Filho e continuado por Paulo Dantas. O resultado das urnas encerra, portanto, uma sequência de três eleições estaduais vencidas pelo mesmo grupo político.
Mas talvez exista um simbolismo ainda maior na disputa pelo Senado. Renan Calheiros ocupava uma cadeira na Casa desde 1995. Foram quatro mandatos consecutivos. Ao não conseguir a reeleição, encerra-se um período de 32 anos de presença ininterrupta no Senado.
E não se trata apenas da derrota de Renan. As duas cadeiras em disputa foram conquistadas justamente por nomes pertencentes ao campo político adversário.
Arthur Lira trocará a Câmara dos Deputados pelo Senado. Marina JHC, por sua vez, chega ao Senado em sua primeira disputa por um cargo eletivo.
O resultado produz uma fotografia política bastante clara: JHC no Governo do Estado, Arthur Lira e Marina JHC no Senado.
Mas vencer uma eleição e administrar o poder conquistado são desafios diferentes.
A partir de agora, a concentração de força também significa concentração de responsabilidade. O novo grupo terá de responder pelas expectativas criadas nas urnas e, principalmente, administrar internamente uma aliança formada por lideranças com capital político próprio.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para observar nos próximos anos. Durante uma campanha eleitoral, existe um objetivo capaz de unificar interesses diferentes: vencer o adversário. Depois da vitória, começa outra disputa, normalmente mais silenciosa, pela ocupação dos espaços políticos, pela influência sobre decisões de governo e pela construção dos projetos eleitorais seguintes.
JHC chega ao Governo fortalecido pelas urnas. Arthur Lira chega ao Senado carregando a experiência e a estrutura política acumuladas durante anos na Câmara dos Deputados. Marina passa a ter mandato próprio e oito anos pela frente no Senado.
A convivência entre essas forças será determinante para entender a política alagoana a partir de agora.
Para o MDB, o cenário é exatamente o inverso. A perda do Governo e a saída de Renan Calheiros do Senado obrigam o partido a discutir sua reorganização fora dos principais espaços que sustentaram seu poder estadual nos últimos anos. Isso não significa desaparecimento político: Renan Filho mantém mandato no Senado até 2031. Mas significa que o MDB terá de atuar em uma posição bastante diferente daquela à qual se acostumou.
A eleição de 2026, portanto, não definiu apenas os ocupantes de alguns dos principais cargos políticos de Alagoas. Ela encerrou um ciclo e abriu outro.
JHC, Arthur Lira e Marina JHC saem das urnas como protagonistas dessa nova configuração. O MDB entra em um período de reconstrução e reposicionamento.
Agora começa a etapa que nenhuma urna consegue responder. Até onde os interesses desse novo bloco continuarão convergindo quando chegar a hora de dividir poder?
É justamente essa resposta que ajudará a definir os próximos capítulos da política alagoana.
Carlos Victor Costa
Jornalista
É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...
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