Política

Quem vai comandar o novo tabuleiro político de Alagoas?

Eventual chegada de Alfredo Gaspar à Vice-Presidência ampliaria o poder de novos grupos e imporia desafios a Renan Filho e ao MDB

Por Carlos Victor Costa
20/10/2026 às 16:42 43 views
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E se Alfredo Gaspar chegar à Vice-Presidência da República? A pergunta pode parecer antecipada, mas a possibilidade já permite uma análise sobre os impactos que esse cenário provocaria na política alagoana. Afinal, a presença de um representante do estado no segundo cargo mais importante da República não significaria apenas prestígio institucional. Representaria também uma mudança significativa na correlação de forças entre os principais grupos políticos de Alagoas.

Um dos personagens mais pressionados por essa nova realidade seria Renan Filho. Com JHC no Governo de Alagoas e Alfredo Gaspar na Vice-Presidência, o ex-governador teria pela frente um novo eixo de poder político. Caberia a ele assumir a linha de frente do MDB, reorganizar suas forças e, principalmente, preservar a capilaridade de um partido que construiu uma das maiores estruturas políticas do estado.

O desafio não seria pequeno. Uma eventual migração de prefeitos atualmente filiados ao MDB para os grupos de Arthur Lira, no PP e União Brasil, e de JHC, no PSDB, estaria dentro da lógica tradicional da política alagoana. Mudanças no comando do Executivo costumam provocar rearranjos partidários, especialmente entre gestores municipais que buscam proximidade com quem detém o poder e capacidade de articulação administrativa.

Na Assembleia Legislativa, entretanto, a dinâmica seria diferente. Os deputados estaduais do MDB enfrentariam restrições legais para mudar de legenda antes de 2030, fora das hipóteses permitidas pela legislação eleitoral. Isso, porém, não garantiria uma bancada integralmente alinhada à oposição. A permanência partidária não significa necessariamente fidelidade política ao grupo que estiver fora do governo. E essa distinção poderá ser determinante na relação entre o Legislativo e a gestão de JHC.

Nesse novo desenho, Arthur Lira também ampliaria seu espaço de influência. Com um grupo político fortalecido e capacidade de articulação em diferentes esferas, o deputado federal teria condições de ocupar uma posição ainda mais relevante nas decisões estaduais. A própria Assembleia Legislativa se consolidaria como outro centro de poder, com peso nas negociações e na sustentação política do governo.

Outro grupo com protagonismo seria o dos Caldas. A participação no governo estadual, somada à presença de Marina no Senado, colocaria a família em posição estratégica nesse rearranjo. Seria mais um núcleo de influência em um cenário no qual diferentes lideranças dividiriam espaços e disputariam a condução dos principais movimentos políticos de Alagoas.

Mas existe um elemento capaz de alterar a dimensão de todo esse tabuleiro: a projeção nacional de Alfredo Gaspar. Uma eventual chegada à Vice-Presidência daria ao político alagoano uma visibilidade institucional sem precedentes recentes para uma liderança do estado. Mais do que ocupar um cargo de destaque, Alfredo passaria a integrar diretamente o núcleo do poder federal, com potencial para ampliar sua influência sobre as articulações políticas locais.

É justamente aí que surge a questão central. Mesmo com JHC comandando o Executivo estadual, Arthur Lira ampliando sua influência, os Caldas ocupando espaços estratégicos e Renan Filho tentando preservar a força do MDB, quem teria a palavra mais forte na política alagoana?

A resposta dependeria da capacidade de articulação de cada liderança e, principalmente, da relação que Alfredo Gaspar estabeleceria com os grupos locais. A Vice-Presidência, por si só, não garantiria o comando político do estado, mas colocaria seu ocupante em uma posição privilegiada para influenciar decisões, construir alianças e participar das disputas de poder.

No fim das contas, Alagoas poderia passar a conviver com diferentes centros de comando político, sem que necessariamente um deles tivesse hegemonia absoluta. Renan Filho teria o desafio de resistir e reorganizar o MDB. JHC precisaria consolidar seu governo. Arthur Lira buscaria ampliar seu protagonismo. Os Caldas tentariam transformar os espaços conquistados em influência duradoura.

E Alfredo Gaspar? Estaria em outro patamar institucional.

Porque uma coisa é disputar o poder dentro de Alagoas. Outra, bem diferente, é participar dessa disputa tendo um alagoano instalado no Palácio do Jaburu.

A grande questão não seria apenas quem ganharia força com Alfredo na Vice-Presidência, mas quem conseguiria transformar essa nova configuração em poder político efetivo dentro de Alagoas.

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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